A Cultura como prioridade – ou a Síndrome do Cobertor Curto

LEONI, além de seu trabalho na musica, é um dos arautos do GAP (Grupo de Ação Parlamentar).

Para que o G.R.I.T.A. consiga mobilizar um grande contingente de artistas de todas as áreas acho que devemos começar por identificar causas comuns a todos. E acho que não há nada tão importante quanto estabelecer uma política de Estado que coloque a Cultura como prioridade. O MinC sempre foi um Ministério de baixíssima dotação orçamentária, sempre o último ou penúltimo na alocação de recursos. Apesar da gestão Gil/Juca ter conseguido atrair a atenção de artistas e população em geral para a Cultura (tanto que foi o Ministério com maior número de ministeriáveis na sucessão de Lula) e ainda dobrar a verba, esta ainda é insuficiente. Para piorar a coisa, um Ministério tão pobre ainda teve seus recursos diminuídos em 38% no governo Dilma.

Isso nos leva a falsas oposições dentro das diversas atividades artísticas. É o cinema contra a música, a cultura popular contra o Patrimônio Histórico etc. Quando a música demanda uma secretaria dentro de um Ministério dentro do qual não tem um interlocutor qualificado, ouve que não há recursos para tal, do contrário o MinC teria que ceder a pedidos semelhantes da dança ou do teatro. É a Síndrome do Cobertor Curto. Como a Cultura não é prioridade, ficamos nos estapeando pelas migalhas que nos são oferecidas. Não há incompatibilidade entre os diversos interesses, há falta de uma política pública abrangente.

No momento há um Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 150, que estabelece um mínimo de 2% para a Cultura. Acho pouco, mas é muito mais do que temos, e já está no Congresso para ser votada. Como artistas temos que apoiar e divulgar a PEC e pressionar os parlamentares que conhecemos.  E ainda conseguir que, como no caso da Educação, que não se permita contingenciamento de verbas.

Temos ainda que exigir um estudo da força econômica da nossa atividade (que estimativas garantem que passa dos 5% do PIB) para que a Fazenda, a Casa Civil, o Planejamento e a Receita Federal entendam que a arte tem uma enorme contribuição para a economia do país, além de todas as outras contribuições simbólicas. Não dá mais para ficar de primo pobre, olhado com um certo desdém pelos governos de todas as matizes ideológicas.

Acredito que apoiar a PEC 150 e exigir que o governo estabeleça políticas de Estado para a Cultura é algo que nos une para que a arte ocupe um lugar muito mais condizente com sua importância para o país, além de eliminar falsos conflitos entre áreas que não são, nem deveriam ser, concorrentes.

Vamos nos mobilizar?

Leoni.

***

Nota – exercitemos nossa mobilização comentando os textos. Sua interpretação é indispensavel para sedimentarmos nosso elo. Estamos tratando de um problema de seu interesse.

G.R.I.T.A.

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12 respostas em “A Cultura como prioridade – ou a Síndrome do Cobertor Curto

  1. De acordo em gênero, número e grau. Os artistas vêm, nos últimos anos debatendo e cada vez mais compreendendo o mundo que os cerca, com suas contradições atrozes. É hora de peitar os velhos paradigmas da vida cultural – que não são naturais, são contingenciais e impostos por razões externas – ações que dependem de sermos diretos, claros e livres das velhas correntes que definiam um papel em sociedade que não nos cabe mais. É hora e eu grito!

  2. E ainda deu no Ancelmo Góes de hoje que o Ministério do Planejamento vai cortar R$ 500.000.000,00 do orçamento do MinC do ano que vem! Não podemos ser tratados com tanto descaso. Temos que nos mobilizar! Grita, galera!

    • E ainda deu no Ancelmo Góes de hoje que o Ministério do Planejamento vai cortar R$ 500.000.000,00 do orçamento do MinC do ano que vem! Não podemos ser tratados com tanto descaso. Temos que nos mobilizar! Grita, galera!

  3. Gente eu juro que faço o que posso, mas sinceramente tem gente que nem merecia ter dom musical ou artístico, porque não se respeita e nem tem noção do que isso representa na sociedade…o poder das artes pra transformar a sociedade e gerar renda é imensurável, mas ainda temos muitos “colegas” que trabalham em outros empregos que não gostam pra ganhar bem, e fazem a música que gostam aceitando cachês de R$50,00 por noite pra tirar o trabalho de profissionais que vivem da música…
    Eu me nego a fazer isso, acho um absurdo e falta de união…
    tenho divulgado o GRITA, como um instrumento de “salvação” (rsrs) sério acredito que se nos unirmos podemos sim fazer as coisas mudarem…
    Quem me conhece sabe que não é da “boca pra fora”, que sempre busquei o coletivo pra crescer!!!
    Vamos em frente então!
    Nos mobilizeos pra elesvoltarem atrás a respeito dos 500.000.000,00 que queem nos tirar!!!

  4. Não estamos Gritando sozinhos:

    Artistas protestam na sede da Funarte no centro de SP
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    GABRIELA MELLÃO
    DE SÃO PAULO

    Cerca de 300 artistas protestaram na sede da Funarte hoje, no centro de São Paulo. O ato foi pacífico, consequência de uma mobilização que começou às 14h desta segunda-feira, com discursos cantados por membros de diversos coletivos do país, como as Cias. Kiwi de Teatro e São Jorge de Variedades.

    “Trabalhadores do teatro, é hora de perder a paciência”, entoavam os artistas para a multidão, ao ritmo das batidas de maracatu e samba.

    Eles exigem aprovação imediata do PEC 150, proposta que destina 2% do orçamento federal para as políticas culturais. Querem a criação de uma política cultural que amplie o acesso aos bens culturais e, além disso, seja contínua e independente.

    Citam como exemplo o Prêmio Teatro Brasileiro, um modelo de lei proposto pela categoria após mais de 10 anos de discussões, que atualmente tramita no Congresso.

    O Prêmio propõe a criação de um programa de fomento nacional, que favorece núcleos artísticos teatrais com trabalho continuado, produção de espetáculos teatrais e circulação de peças ou atividades teatrais.

    “A gente luta por programas de leis estáveis, como o Prêmio de Teatro Brasileiro. Há propostas, mas a escuta está fraca. E com o corte de orçamento a situação ficou patética”, diz a atriz e diretora Gerorgette Fadel, referindo-se à redução da verba anual de cultura, que perdeu 2/3 do orçamento. De R$ 2,2 bilhões de reais passou para R$ 800 milhões.

    Georgette define os manifestantes de guardiões da cultura. “Enquanto a gente puder, vai gritar”, fala Ney Piacentini, ator da Cia. do Latão, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro e um dos articuladores da manifestação.

    Ney acredita que a produção artística vive uma situação de estrangulamento. Para ele, o fato é resultado da mercantilização imposta à cultura brasileira. “Por meio da renúncia fiscal, em leis como a Lei Rouanet, os governos transferiram a administração de dinheiro público destinado à produção cultural para as mãos das empresas. É dinheiro público utilizado com critérios de interesses privados”, diz.

    A produtora cultural Graça Cremon reclama a inconstância dos editais públicos. “Meu trabalho é inscrever projetos em editais e neste ano ainda não abriu nenhum”, reclama. Para ela, o fato da Funarte ter anunciado na semana passada R$ 100 milhões em programas de incentivo às artes é uma resposta à mobilização. “Eles souberam da manifestação e estão correndo atrás”.

    Também estavam presentes na ocupação os porta-vozes da ministra Ana de Hollanda e do presidente da Funarte Antônio Grassi –que foram ao Uruguai, participar de uma reunião internacional de ministros.

    Valério Benfica, chefe de representação regional do Ministério da Cultura e Tadeu de Souza, representante regional da Funarte, declaram ser favoráveis ao evento. “As reivindicações são justas e já foram apoiadas abertamente pela ministra e pelo presidente da Funarte”, diz Souza.

    Benfica concorda, mas faz questão de esclarecer que a pauta deve ser discutida no Congresso. “Tanto a aprovação do ProCultura como a do PEC 150 são assuntos parlamentares”. Mesmo assim, ambos enfatizam a importância da mobilização. Segundo eles, para as reinvindicações serem atendidas a classe teatral deve transformar seu descontentamento num ato público.

    Segundo Benfica, para que uma emenda passe na constituição é preciso 2 aprovações da Câmara e 2 no Senado, em ambos os casos com pelo menos 3/5 de votos favoráveis. “É muito difícil. A sociedade tem que ajudar, mostrando-se estar mobilizada”.

  5. “O Ministério do Planejamento vai cortar R$ 500.000.000,00 do orçamento do MinC do ano que vem” Como assim? A cultura não pode ser tratada com tamanho descaso. Vou mandar email para os deputados. E repassar para os colegas. Vamos agir! Juntos!

  6. A desunião faz a debilidade. Canso de ver artistas consagrados que ignoram os aspirantes. Canso de ver a falta de entrosamento, mesmo entre artistas consagrados. Canso de ver artistas amadores já com os vícios de uma competição social barata, tentando despretigiar seu par, a fim de conquistar um espaço. Quem consegue chegar ao Kojak, pensa que está no Nirvana e mete cadeado na porta e secretária eletrônica para atender telefonemas. Enfim, é preciso mais do que gritar, é preciso consciência coletiva e união, de fato e de direito. Apóio o movimento, mas o interpreto apenas como o primeiro degrau da escadaria da Penha. E não é com milagre e vela na mão que se chega aos píncaros, mas com ação coletiva objetiva e sinérgica. Quanto menos hipocrisia, melhor. Parabéns ao meu ídolo Sérgio Ricardo pela iniciativa.

    • Felipe, esse movimento está se iniciando agora. O primeiro passo é conseguir mobilizar artistas e sociedade para o debate. Parece simples mas tem sido uma batalha árdua com pouquíssimos resultados. Ajude-nos a divulgar para que juntos possamos ter força política para atuar nesse cenário desolado.

  7. Assino embaixo, Leoni. Aqui no RN estamos nos organizando para darmos tratamento a estes temas de maneira formalizada, atuando de forma sistematizada, procurando somar efetivamente às boas iniciativas que buscam uma nova face para o problema da cultura artística no Brasil.

    ESSO – http://www.sitiodoesso.com

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