Fala da Presidente do SindMusi, Deborah Cheyne, no lançamento do documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler

“Hoje, estamos reunidos para, através da sensibilidade e inteligência de Silvio Tendler, conhecer mais uma face deste sistema perverso que estimula o lucro, o poder e a violência em detrimento das questões e direitos mais básicos do cidadão comum. Muitos dos herbicidas, fungicidas e pesticidas consumidos em nosso país estão proibidos em quase todo mundo, simplesmente pelo risco que representam à saúde pública. Alimentamo-nos mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio. Este por sua vez é apoiado pelo silêncio dos que lucram e mantido pela nossa ignorância contemplativa.

Esta característica, entretanto, não é só pertinente a este objeto, tão bem tratado por Tendler, mas pode ser usado como analogia para os mais variados aspectos de nossa realidade, como os mecanismos de nossa economia cultural e mais particularmente, na situação que vivemos na OSB atualmente.

Estamos diante de um desmonte da mais tradicional orquestra brasileira, do fechamento de postos de trabalhos ao músico brasileiro e em especial ao músico carioca, da utilização de uma importante instituição cultural bancada com dinheiro público para a satisfação e lucros de uma engrenagem estrangeira e estranha a nossa realidade, representada uma pequena comunidade que se locupleta em cima do trabalho e da produção de pessoas abnegadas.

O mais sórdido é que esta terrível manipulação veio embrulhada em um papel de “fina” tiragem chamado projeto de excelência artística. Na verdade, tratava-se de um grande plano de marketing baseado na usurpação dos direitos dos músicos, na utilização indevida de recursos públicos, no ludíbrio da opinião pública e na humilhação de alguns que ousaram desafiar a ordem estabelecida ou de outros que não se adequavam a ela. Este plano tentava criar um grande circo, onde músicos qualificados como incompetentes seriam jogados ao lixo como símbolos de mudança e do aprimoramento da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.

Esta luta ainda não está encerrada.  Nossa mobilização atraiu o apoio e artistas consagrados como Nelson Freire, Cristina Ortiz, Marlos Nobre, Isaac Karabtchevsky, Edu Lobo. Assim como as universidades, federações, sindicatos e associações de músicos de todo o mundo, além de cineastas, parlamentares, jornalistas, críticos musicais, entre outros tantos, transformando este movimento num símbolo de luta pela cultura nacional e pela dignidade dos trabalhadores da cultura.

Em sua permanência, nossa luta serve como o documentário de Tendler: informa-nos e alerta para “O veneno [que] está na [nossa] mesa”, em nossos teatros, em nossa televisão, em nossas vidas. Precisamos estar atentos e não contribuir com nosso silêncio e tampouco com nossa ignorância para esse estado de coisas, e por isso estamos aqui para reverberar o apoio e solidariedade a uma causa que é de todos.

PELA CULTURA NACIONAL!”

 

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Uma resposta em “Fala da Presidente do SindMusi, Deborah Cheyne, no lançamento do documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler

  1. Não é possível um projeto de excelência artística construído através de atos sem decência. O que restará na história dessas ações equivocadas e desse aviltante comportamento contra os artistas históricos da orquestra, é a repulsa a essa excrecência toda, o indelével registro dessa administração infame. Felipe Radicetti, compositor.

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