NóS, Músicos: classe[1] e distinção

 

Por Felipe Radicetti

 Bruxelas, 31 de julho de 2011

Há cerca de ano e meio atrás, escutei de um colega uma daquelas piadas de domínio público, que são ouvidas em corredores de escola de música, e que jamais esquecerei:

Dois músicos, o primeiro saxofonista, se encontram.

– Cara, você soube que a minha mulher esteve super mal, internada no hospital um tempão?

– Não soube! Que houve?

– Ela ficou muito doente, eu não tinha seguro, tive de vender meu carro, depois um, dois, três, todos os meus saxofones, perdi tudo o que tinha, você não soube?

– Não soube, cara, como você está?

-Estou péssimo, precisando de trabalho, tô na lona, você não soube?

-Não soube!

– Pior que outro dia rolou uma gravina, tive de pegar um sax nacional de um aluno emprestado, e foi um desastre, acabou que saiu tudo desafinado!

– Ah, isso eu soube.

Esta piada lapidar tem efeito imediato: os músicos reagem de estalo, riem solto, alto, reconhecem-se e reconhecem o millieu musical que, por força de convivência, conhecemos os códigos, tradições, exigências e acordos tácitos – mas não ditos – que nos constrangem mais ou menos, dependendo da posição que ocupamos no meio musical, ou seja, se conquistamos mais ou menos o respeito de nossos colegas ou reconhecimento público. Essas regras e requisitos, tal como códigos de conduta, são conhecidos de todos nós, conscientemente ou não.

O que mais me surpreendeu foi contar a mesma piada traduzida em inglês e em francês, na Holanda, na França, em Luxemburgo e na Bélgica, onde moro há quase um ano. O efeito  sobre músicos de diversas nacionalidades foi rigorosamente o mesmo. O que enseja considerar que esse código de conduta se trata de uma questão que perpassa toda a socialidade do nosso meio.

Mas a contradição que me incomodou mais é que eu sempre acreditei que na cena musical havia muita solidariedade e gentileza para com os colegas, algo equivalente a compartilhar um orgulho de sermos músicos, um sentimento que nos identificaria, como uma característica dessa nossa coletividade. Vinha dando crédito a essa falácia por mais de 30 anos de profissão. Não é mais que uma convenção social, uma etiqueta que aceitamos tácitamente.

Isso não invalida, de forma alguma, as relações sociais que estabelecemos. Fazemos reais amigos, conhecemos artistas extraordinários e figuras humanas que nos são caras por toda a vida. Não é a isso que me refiro, refiro-me a outra coisa, quero aqui abordar o que se aproximaria de uma consciência de classe.

Em nossa ação como profissionais trabalhadores, inváriavelmente inseridos num regime   competitivo de mercado, vivemos constrangidos por outros fatores fortemente condicionantes: tal como em todos os campos profissionais, há em nosso millieu profissional uma interminável disputa por espaço e pela conquista de capital simbólico (Bordieu); um movimento contínuo de ocupação de espaços de representação (na busca de capitalizar o valor de reconhecimento como profissional para si), de poder (na busca de obter acesso aos meios que permitem a produção do trabalho e sua difusão) e sim, a futura conversão desse capital simbólico em econômico (ou no sentido que conhecemos no vulgo, valorizar o passe). Os limites morais implicados nessas disputas deveriam ser objeto de nossa atenção e compreensão.

Uma questão central é que na competição pelo mercado as condições não são iguais para todos, e se por acaso a sua posição, nessa relação, for subalterna, pior para você.

 Pior pra você? Mas então qual o parâmetro que define a socialização? O espaço humano. E o que define o espaço humano em sociedade? É a solidariedade que esta oferece a seus membros. É em que eu acredito.

Em “Ensaio sobre a cegueira” o escritor José Saramago demonstrou com aguda clareza como uma coletividade reproduz as formas de dominação cujos limites morais se definem pelo poder daquele em condições de exercê-lo. Aplicado ao círculo dos músicos e guardadas as devidas dimensões, sem muito esforço de imaginação, lembramos que não poucos, que estiveram em condição de atropelar outro colega, o fizeram, dependendo apenas da situação. Mas há uma particularidade a ser destacada: é a que somos contínuamente levados a reagir como ratos dentro de um sistema de relações que estamos acostumados a aceitar como natural e perfeitamente justificável.

É o que me arrisco a dizer em relação ao processo histórico da recente demissão dos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. Em meio ao turbilhão em que vivemos no meio artístico, esses músicos recusaram a se submeter. Levantaram-se. E se opuseram.

Esses fatos têm obtido toda a atenção da sociedade civil. Os jornais têm oferecido ampla cobertura e destaque a todas as etapas desse processo. Porque fatos dessa gravidade têm consequencias para toda a sociedade, fatos que surpreenderam, que aconteceram no seio de um setor cujo perfil público o senso comum não consideraria capaz de subverter a ordem, de revolucionar as relações de trabalho. Nesse sentido, a reação desse grupo foi excepcional. A demissão em massa por “justa” causa dos músicos da OSB constituiu-se em um dos eventos mais infames que já testemunhei em nossa profissão.

 Como será que o músicos dos outros setores estão vendo, pensando,refletindo sobre esses fatos tão relevantes?

 Desde o início do processo ouvi de alguns músicos da área de música popular, que, ao comentar a crise da OSB disseram “mas a orquestra era uma merda”. Perguntados se haviam assistido ao menos um concerto dessa orquestra a que se referiam dessa forma, houve uma negativa. Então, em seguida, perguntei como havia chegado a essa conclusão tão categórica, e a resposta invariávelmente foi:  “É o que dizem!” Repliquei se todos diziam isso, e a resposta foi “Não, alguns”. Mas então porque o que alguns dizem é a verdade absoluta? Porque a desvalia de um colega músico é a priori verdade? Porque isso é tão contagioso a ponto de se tornar a verdade admitida? Porque alguns de nós precisam fazer isso?

 Possívelmente para que isso nos conceda finalmente alguma distinção.Não é o que revela claramente a piada que tantos riem?

 Como se isso fosse uma questão fora da alçada de todos os setores da música, como se isso não falasse a todos nós. Como se esse comportamento não fosse agudamente revelador de nossas relações enquanto classe. Essa parece ser a mecânica social que, em nosso meio, permitiu a uma administração infame como a atual da Fundação Orquestra Sinfônica Nacional – FOSB sentir-se no direito de subjugar tão fácilmente os músicos: mais do que através de dispositivos legais e contratuais, essa administração, que sentiu-se no direito de implementar seus projetos através de métodos de coerção tão indecentes – mas perfeitamente legais – se legitima e se realiza através da divisão da classe, da competição que se interpõe entre os músicos, o alicerce primaz que pemite a aceitação da lógica da propaganda da FOSB, atuando através de ideologia[2]: a retórica, ao ocultar os reais motivos dessa ação, constitui-se no mesmo instante em forma, em uma estetização do discurso, buscando garantir a sua assimilação. A lógica de coerção foi exemplar em todo o processo.

E esses novos aspirantes ao corpo orquestral, que se apresentaram para ocupar os postos dos colegas, o que representam? Exemplificam claramente o que buscamos aqui compreender: essas ocupações, tornadas pragmáticamente necessárias a essa altura da crise, para muito além do mérito artístico, o que está implicada é a conivência tácita com o jogo proposto pelo empregador, do qual o músico está perfeitamente consciente.

O músico que considera lícito esse procedimento e aceita tomar o lugar de outro colega músico em processo de luta contra a opressão é aquele que se aproveita de um sistema covarde imposto pelo empregador para vir a ocupar um espaço de representação sem ter lutado por isso, apenas pela aceitação tácita dos termos que – assim acredita – a ele beneficiará. Isso significa que encontra-se inegávelmente imbricada, nesse processo, a contratação de serviços de outra natureza, ou seja, a da conivência per se. Saramago nos demonstrou isso muito bem.  

 Somos uma classe de  miseráveis?

 Esses músicos tão necessitados de um posto de trabalho como os demitidos, obtiveram finalmente a sua distinção: são enfim, músicos diferentes dos outros. Diferentes em seu proceder. Os músicos que se levantaram contra a administração da FOSB tinham muito, ou melhor, tudo a perder.

O que nos caracteriza então, como classe? O caso da demissão dos músicos da OSB não é apenas um fato traumático, mas  parece ser também um fato exemplar, que explicita algumas dessas contradições.

Tendo a crer que comportamentos desagregadores dentro da classe são correntes, nos condicionam e nos distinguem também. De onde então, pode germinar um orgulho legítimo de sermos músicos, se consideramos fatos como esses?

Culpabilizarmo-nos uns aos outros não nos conduzirá à transformação desse estado de coisas. Provocar a contrição dos colegas com acusações só iria produzir, como efeito, algo como um pecado que a oração expia. Será preciso tratar essa questão com mais objetividade.

Mas é preciso reafirmar agora e sempre: temos toda a responsabilidade nesse processo, temos toda a responsabilidade, temos toda a responsabilidade.

Se por um lado a distinção é também, um importante instrumento de (re)conhecimento da realidade, a comparação que nos permite distinguir e fazer escolhas, a distinção de que falamos aqui é o emprego desse dispositivo como instrumento de extratificação, desvalia, exclusão e dominação do semelhante. A edificação de castas entre os artistas serve a quê?

Se não refletimos sobre nossas ações enquanto coletividade, no campo de nossa classe, continuaremos a ser uma massa fácil de manobrar, para quem dispor de meios para fazê-lo.

 A classe dos músicos é uma classe subalterna na cadeia produtiva da cultura.

 Finalmente, como intervir em um processo estrutural dessa natureza? Como podemos dar os primeiros passos para uma transformação estrutural na classe? Poderíamos, a exemplo dos músicos demitidos da OSB, começar pela subversão de toda a ordem que aí está.

 Começar por subverter a distinção, aquela utilizada como intrumento de opressão, a distinção a que desde sempre estamos submetidos e se apropriar dela, fazer a nossa própria distinção, mas subvertida, em outrosenso, no sentido de distinguir, entender para  fazer outras escolhas.

Distinguir para escolher. Tal como fizeram os músicos da OSB jovem que deixaram o palco do Teatro Municipal num dos mais extraordinários eventos da música sinfônica que o Rio de Janeiro já testemunhou. Eles fizeram também uma escolha. Uma escolha subversiva, uma luta por outros termos nas relações de trabalho, o que implicou um uma nova consciência de sua coletividade.

Os próximos capítulos dessa triste história, não importa os desdobramentos que virão, demonstra que cabe a cada um de nós dar outro rumo a essa marcha insensata.

 Pois já chega!

Eu desejo um outro futuro a todos vocês, colegas.


[1] O termo correto a ser aplicado aqui é categoria profissional. Todavia, no jargão entre os músicos, constumamos nos auto-referir como “classe”, o que é corroborado quando a imprensa se refere a uma “classe artística”. O termo “classe”, que também tem o sentido de classe subalterna, guarda interessante relação com o termo “distinção”,  sendo ambas, as questões centrais abordadas neste artigo. (N.A.)

[2] Ideologia e retórica, aqui entendidas no sentido em que o que é dito do que é feito não corresponde aos fatos reais ou à dimensão real de suas consequências.

Anúncios

7 respostas em “NóS, Músicos: classe[1] e distinção

  1. Para subverter qualquer processo, algumas ações são necessárias. Deve-se ter consciência da relação em que se está submetido e de seu papel nela, mudar paradigmas e pensar ações que neguem tais relações. Enquanto o músico tiver como paradigma de sucesso etc, a presença em determinadas mídias, ou a participação em alguns espaços, estes estarão referendados por ele. Assim, a cada dia o músico estará mais distante de sua autonomia, já que, ansioso por seu sucesso, respalda as instâncias que o oprime.
    Sim, é duro romper, mas ninguém pode fazer isso por nós!

  2. O texto de Felipe Radicetti determina com exatidão como o universo da música, melhor dizendo, das artes está desnorteado. O poder hipnótico da visão empresarial que acentua essa realidade tem deixado, especialmente nas nuances de interpretação sobre o que é ser um artista um impacto determinantemente negativo.

    Estamos na repetição da ação x reflexão há muito tempo. E essa embriaguez indiscernivel, aliada à necessidade de determinadas características individualistas acaba por explicar porque o alargamento desse conceito de exclusivismo ganhou tanto espaço no nosso meio.

    A expressão artística pode e deve ser analisada sob vários ângulos, no entanto ela necessita de uma proteção ética que indique exemplos de humanidade. A continuar assim, onde cada um de nós abandona as análises e se deixa ser numerado pela pronúncia dos burocratizados institutos, fundações e afins, a história da música brasileira, que é a expressão mais contagiante do nosso povo, acabará por abolir sua biografia de comunhão.

    Este texto consegue mostrar integralmente o exemplo de uma música mecânica. Ocorre que essa expressão está impregnada nos corredores da construção insensível que é a cultura corporativa. Cabe a nós, através de debates e comunicação, determinar que a fadiga que assola o universo cultural no Brasil seja expelida para que possamos inserir algo que corresponda aos sentimentos da própria sociedade. Na verdade o texto retrata que a visão comercial ou industrializada dominou todas as formas de se pensar arte, pois o neoliberal cultural se transformou em algo central e, consequentemente com seu antagonismo às práticas humanas e a valorização sistemática do dinheiro brutalizou a cultura de tal forma, com seus enfoques perversos, que esse trágico pensamento acabou se transformando num amuleto tribal.

    Por isso, para que tenhamos o renascimento de uma arte propositiva, sobretudo dentro de um livre pensamento modernista é necessário, além da pesquisa estética, o exercício crítico para que possamos aos poucos nos distanciar dessa cultura de “civilização” produzida pelos novos tempos da gestão laboratorial.

    As principais questões devem ser fundamentalmente pesquisadas para que o acompanhamento de uma outra forma de se pensar os novos processos traga um timbre verdadeiramente humana.

    • Obrigado Carlos, pelo seutexto. Publique-o, proteste. O mundo da música mudou, os paradigmas mudaram, mas não o nosso comportamento, dirigido em busca das benesses da classe dominante. Mais do que tentarmos responder a todas as questões que emergem, é preciso debater amplamente. Abraço!

  3. Lúcido e claro. Obrigada Felipe. Vou repasszar seu texto para alguns músicos daqui de Brasília com quem tenho conversado sobre esse nosso comportamento autofágico. Helena Pinheiro

    • Obrigado Helena. O que parece sem dúvida importante, é que se debata amplamente o nosso comportamento social. Não é mais possível num mundo em que os paradigmas de nossa atividade estão subvertidos, que os músicos permaneçam na mesma atitude. Felipe.

  4. Caro colega Felipe.
    Venho mais uma vez parabenizá-lo pela grandeza de seu texto e aproveito para levantar uma questão, ao meu ver, também relacionada com as agruras pelas quais nós temos sofrido, principalmente os Artistas “da noite”, que se apresentam em bares, restaurantes e “espaços alternativos”, contribuindo, inquestionavelmente, com o “movimento” cultural e artístico de qualquer cidade. Outros colegas hão de lembrar de um tempo em que as casas noturnas cobravam uma “consumação mínima”, com a qual se garantia o fluxo de seus caixas e cobravam um “couvert artístico”, do qual se repassava uma porcentagem certa aos artistas, geralmente em torno de 80% do arrecadado, sendo os outros 20% dirigidos à cobertura com despesas de divulgação, de sonorização, iluminação e outros gastos derivados pelas apresentações musicais em seus recintos. Essa medida, que perdurou por décadas, propiciava ao artista, inclusive, conferir o quanto iria receber ao final de uma apresentação, bastando calcular o número de pessoas presentes, quando a maioria das casas usava o sistema de comandas numeradas. Com grande sensacionalismo e espalhafato, do jeito que a Imprensa gosta, inclusive com a autuação à época de estabelecimentos comerciais, um deputado do PMDB, se não me falha a memória, Senhor Paulo Melo, criou e viu aprovada, tempos atrás, uma lei que proíbe a cobrança da “consumação”. Eu fui proprietário de estabelecimentos com música ao vivo e pude constatar por inúmeras vezes o mal que a tal lei originou. Essa medida do senhor deputado, por mais que recheada de nobreza e dignidade, no que vise “proteger” ao consumidor, com a alegação de que “ninguém pode ser obrigado a consumir o que não deseje”, veio provocar algumas incoerências, prejudicando sobremaneira à artistas e público, e beneficiando comerciantes em algumas situações e prejudicando-os em outras:
    1) Antes, quando uma pessoa saía de sua casa e escolhia uma casa noturna para se distrair, assim procedia por sua livre e espontânea vontade e escolha, e já sabia, previamente, o quanto iria gastar pela “noitada”, uma vez que as casas divulgavam os valores de consumação e de couvert, principalmente nos famosos “tijolinhos” do jornal “O Globo”. Dessa forma havia a opção de escolha para o consumidor, de onde gastar o seu dinheiro de forma calculada e compensatória. Há de se considerar que, grosso modo, quem “vai pra noite”, quer beber, quer jantar, ou quer “beliscar” algum tira-gosto, independentemente de assistir a qualquer evento. Essas opções eram claras, largamente divulgadas na imprensa e citadas em cardápios, com a “consumação mínima” específica. Protegia comerciantes, artistas e público!

    2) Hoje em dia, após a tal lei, as casas noturnas adotam a estratégia, até para sobreviverem, de cobrança de um “ingresso” – tipo bilheteria – onde o cliente paga logo à entrada, mas não recebe nada em troca, além do espetáculo porventura apresentado. O que ele, cliente, consumir, é cobrado à parte, incluindo a opção dos 10% do garção, muitas das vezes pagas pelo consumidor, sem que saiba que desses 10% também, quase sempre, apenas uma ínfima parte é distribuída àqueles funcionários. Garção também passou a ser “assalariado” com um tipo de “pagamento fixo” ou “diária”, que muitas vezes provém somente dos “10%”. Do montante arrecadado com os “ingressos” e com os “10%” do garção, geralmente, as casas também retiram uma parte ínfima para pagamento de “cachets fixos” para os artistas, com a alegada ilusão de estarem a beneficiar artistas e funcionários com um tipo de “salário certo”. Essa “fórmula” é um prato cheio para as casas noturnas de grande movimento, que arrecadam uma baita grana de “portaria”, sem qualquer esforço, às custas de artistas e funcionários, que ficam com as migalhas do bolo! Quanto a estabelecimentos de menor porte e vulto, não conseguem atrair público suficiente, para que possam arcar com a responsabilidade do compromisso de pagamentos de “cachets fixos”! Sem contar que os artistas não têm mais qualquer controle sobre o número de público presente!

    Em quase cinquenta anos de atividade profissional, por bares, restaurantes, clubes, teatros, enfim, jamais recebi qualquer comentário negativo alusivo à cobrança de “consumação mínima” ou de “couver artístico”. Indaguem agora a qualquer consumidor se está satisfeito com a nova “estratégia” de cobrança de “entrada”, adotada por estabelecimentos com música ao vivo, após a aprovação da lei que extinguiu a consumação mínima, e consequentemente o “couvert artístico”. Indaguem a qualquer garção se ele recebe integralmente o que lhe é devido pelos tais “10%”. Indaguem a qualquer artista que trabalhe em casa de grande frequencia de público, se ele está satisfeito em não receber mais por “couvert artístico”… Pode até haver exceções, mas duvido que sejam muitas…
    Abraços
    Eduardo Marques

    • Prezado Eduardo obrigado a você ppor estar aqui, reiteradamente, fazendo deste espaço uma plataforma de contato e interação entre artistas. Você tem toda razão em seu raciocínio. A começar pela relevância da atividade do músico da noite. A noite é uma escola fundamental e que sofre com inúmeras contrições, desde legais (no caso de leis) financeiras e culturais também. Não por acaso nem por razões naturais ou místicas o músico da noite não é bem acolhido, presitigado ou protegido pela sociedade. Ele representa uma classe subalterna dentro da categoria profissional dos músicos. Essa distinção, esse “desclassamento” tem origens sociais mais antigas, claro, desde o papel dos músicos não admitidos nas academias ou nos palácios do poder, hoje representado pelos teatros e pela mídia. A hegemonia da mídia cria, subverte e destrói significados à guisa de sua atividade comercial dentro da comunicação. Essa valoração de nomes, de títulos (hoje o volume de vendas de CDs ou outros produtos) e a isso atrelada, produz desequilíbrios e marginalizações, ou seja, cria um exército de desvalidos, os sem valor. É preciso que se instale uma discussão ampla, e que os músicos da noite façam escutar a sua voz.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s