MÃOS À OBRA

Caríssimos colegas artistas da música

Deixei passar algum tempo sem interferir no GRITA, para ver se ele sozinho, pudesse andar com os pés e as cucas de meus camaradas. Preciso entender porquê não funcionou. Não houve, na verdade, uma solicitação neste sentido. É admissível que muitos não quisessem meter o bedelho onde não foram chamados, outros não estavam nem aí, e também aqueles do tipo “fogo de palha” que se inflamam com uma perspectiva e perdem a chama com um piscar de olhos. Enfim, muitas razões teriam impedido o sucesso de minha tentativa, mesmo entre os mais chegados.

Quis testar minha iniciativa, para ver se não estava desempenhando apenas o papel de um mero sublevado, empolgado com sua própria empolgação. Não obtive nenhuma cobrança da continuidade dos anseios do GRITA, muito embora, a se comprovar pelo número de acessos registrados no topo da página, tenha me dado a certeza de que muitos passaram por aqui. Se este fosse o número de adesões, teríamos chegado ao ponto de uma ação coletiva condizente com a força exigida por nossa proposta. Mais do que isto. Teria provocado uma consciência coletiva no engajamento de uma luta, da qual, pelo menos as líderanças pudessem emergir da correnteza de nosso marasmo. Até o momento não foi comprovado nenhum despropósito nas intenções do GRITA, que pudesse justificar qualquer esvaziamento.

Acreditando que o empecilho emane de minha incompetência em manobrar o instrumento didaticamente, quero propor uma conduta que nos possa deixar mais soltos e proprietários de uma intenção viável para a solução de nossos problemas comuns, ainda e por enquanto na música.

Os olhos estão voltados para a nossa iniciativa. Muitos torcendo por nossa capitulação, para que o continuismo da deformação reforce suas vantagens e piore a situação. Outros, para que se continue a fortalecer grupelhos onde vinga mais a afirmação da vaidade de alguns, a retalhar ou propagar caminhos insipientes, visando o lucro de certas castas. Por isenção de interesses pessoais, jogo o GRITA na roda, para que se transforme num mar de sólidas navegações rumo a emancipação cultural do país, já muito próxima da extinção. Que o meu nome se some aos demais e se dilua nesse mar, pois minha intenção final é poder continuar criando. Não anseio estar no comando, nem tão pouco ser o herói da luta.

Por esta razão venho solicitar que a classe assuma o GRITA como sua propriedade, propondo alterações administrativas do Blog, através de uma objetiva discussão nos comentários no final deste texto, e fazer dele uma espécie de fórum, onde, objetivamente, consigamos estabelecer uma organização lógica e profícua de nossas reivindicações. Que todos se manifestem, por favor. Serei, por enquanto, uma espécie de conselheiro, até alguém mais competente assumir minha função, para que eu me reduza a um simples aderente, ou o que melhor lhes convier. Cumpri e continuarei cumprindo o meu papel. Cumpra o seu também. O GRITA é de todos nós.
Comece a expor sua idéia, ou rebata, ou acrescente. Proponha. Espalhe. Divulgue. Some-se.Assuma. Transforme.
Agora!

Não tema em seu poema
pela rima envelhecida.
Na velha se espelha a nova
que ressuscita da cova
sua essência ressequida

Não há cansaço ou moléstia
ou dor que venha impedir
a mão que se abra em chaves
a transpor cofres e grades
de segredos infindáveis
que teu silêncio guardou

Por menor que seja o dote
brotará agua do pote
para regar esta flor.

Beijos gerais.

Sergio Ricardo

Nota – Para participar das discussões clique no balãozinho ao lado do título àcima.

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5 respostas em “MÃOS À OBRA

  1. Antes de mais nada, amigo, se é artista da música, não se esqueça de se cadastrar, para termos registrado o maior número de aderentes possível, e comprovar nossa representatividade oficial. Obrigado e tenha a palavra.
    Sergio Ricardo

  2. Sérgio,
    Meu querido amigo, mestre e por que não dizer colega de profissão e ofício, afinal, lá se vão mais de 20 anos que a gente se esbarra nas esquinas da cultura brasileira, sempre com o frescor daqueles que acreditam num mundo mais bonito.
    Desde que vc chegou com o G.R.I.T.A com a braveza dos guerreiros, a energia de um menino e o olhar de quem já viu muita coisa, que eu venho ensaiando algumas palavras que possam ser pertinentes a assunto tão grave e que envolve tantas personalidades de nossa cultura popular.
    O momento é de choque, a corrupção avassaladora, dominando ideologias baratas de consumo imediato e descartável, onde educação e bem cultural passam ao largo dos valores desta sociedade desenhada de hipocrisia e bundas.
    Daí, este seu texto de hoje, me fez refletir algo que já vinha me chamando a atenção. Por incrível que pareça, quem vem me alertando e me fazendo crer que é possível uma mudança, é essa geração que hoje tem 17, 18, 20 anos… Os anarquistas que compõe as relações e visão de mundo do Thomaz meu filho.
    Eles se organizam e vão pra rua com bandeiras, caras mascaradas e gritam nas portas das Prefeituras, em Brasília… pra você ter uma ideia, a causa da ocupação Dandara, que se encontra num impasse em Belo Horizonte, já tomou a dimensão internacional, a adesão mundial.
    Sinto não ter conseguido ampliar as adesões em Minas como havia me comprometido, mas… fazer o que? Como já disse Caetano “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
    Então, meu caro, tem que haver coragem, atitude, ação, tem que juntar muita gente, sair no facebook, no jornal e no carnaval… São Paulo, Rio, Salvador, Porto Alegre, Pernambuco, e de todo canto tem que G.R.I.T.A.R , do contrário essa bola de neve nem Deus e nem o Diabo vão saber onde vai dar.
    De forma alguma me ofereço pra nada, minha vida hoje não permite mais a minha doação voluntária e apaixonada que você conhece bem, mas apoio, colaboro, assino, e faço côro.
    Com eterna admiração,
    Sandra Brown

  3. Querido Sergio
    Li, na madrugada, o seu belíssimo texto e me senti inteiramente contemplado com a importância das questões que você coloca. Por isso faço uso de uma frase de Plínio Marcos para, talvez, nos ajudar a refletir sobre as questões de nossa época dominada por uma espécie de ditadura institucional. “Nós nos cercamos de coisas e acabamos sendo cercados por elas”. Não sei se é exatamente assim a frase, mas é este obedientemente o sentido.

    Dia desses escrevi pensando no G.R.I.T.A, algo em torno da Música do Brasil, estimulado em desafiar a nossa capacidade de, fora do espírito de conquista, observar a paisagem, a aparência e a grandeza da Música do Brasil. Falar sobre ela e renunciar um pouco a tática de classe, de compromissos estabelecidos por uma normatização que nasceu ingênua para ficar astuta e acabou se transformando em alguma coisa maliciosa.

    Na verdade estamos contracenando não com a reconstrução da música nacional, renunciamos a isto nessa luta individual em nome da criação e da obra às mãos e não mais das mãos à obra. E, com isto, acabamos sempre sendo parceiros das formas de exploração e, consequentemente o cabotinismo se sobrepõe à ação, o dinamismo aos clichês da sofisticação. E toda a significação mais profunda da Música do Brasil se reduz ao privilégio dos “gênios”.

    Na realidade, esta nossa traição da memória, esta falta acentuada de dimensão que obedece apenas às estatísticas do taco da indústria fonográfica, se antes já nos trazia o perigo de seus métodos, podemos dizer que hoje a terminologia científica é radicalmente falsa.

    A matéria-prima de um poeta clássico foi reduzida a uma sobriedade disciplinada, apoucada, formulada e consagrada apenas dentro do conceito do ofício. Nossos espíritos reformistas preferiram as frases sintéticas à transparência límpida de nossa própria memória. Agora, mesclar este momento de uma indústria que perdeu a capacidade de farejar negócios, mesmo na obscuridade com a ambição que não podemos mais ter, já que o sentido “útil” da sagacidade da indústria está falido, não estamos conseguindo construir uma seção inaugural que nos devolva a prestimosa condição de cidadãos dignos, qualificados para reaprender que, somente somos úteis para ocupar uma tribuna quando a nossa utilidade tem o mesmo objetivo, a mesma alma e o mesmo idioma da porção idealista de uma sociedade.

    A meu ver, a grande dificuldade e redescobrirmos o nosso papel, não mais o nosso “dom”. É este o ponto melindroso, sabermos medir as novas proporções entre nossos sons e os anseios de uma sociedade numa forma mais direta aonde naturalmente o público volta a ser simplesmente sociedade, e o artista, filho dela.

  4. Salve Mestre Sérgio!
    Como já falei antes, “A Corrente não é mais forte do que o seu elo mais fraco”, como os elos estão fragilizados, a corrente ainda não está tão forte assim, pra ampliar e abraçar as nossas reinvidicações, direitos, deveres e causas…sem apoio, na luta do dia-a-dia pela sobrevivência, fica muito difícil uma organização e uma participação mais ativa da classe, ainda tão individualizada, embora tenhamos as redes sociais como aliadas, mentes probo e coração solidário…talvez uma Marcha da nossa Cultura, todos unidos, já frizei isso antes, quem sabe?! Também não sei se é o certo… mesmo asssim, continuemos a discutir, a se organizar, a se sensibilizar, e a propagar nossas idéias, com a grandeza das nossas ações e criações, e se Deus quiser nos faremos caminhar e soltar o nosso G.R.I.T.A. BRASIL…PARA TODOS(AS)!!!
    Ha-braços e caminhos musicais!!!
    NÉLIO TORRES

  5. Não me cabe julgar uma classe, sobre tudo nos dias de hoje em que se sucedem, não só pelas previsões, como pelos fatos, não só no Brasil como no mundo, uma crise eminente com a queda de valores que não admitem se render, cujo odor exalado arrasa milhares de vidas sem a menor cerimônia. Como diz você com profundo saber, somos o elo fraco de uma corrente. Os obstáculos são tantos que o grito não passou de um miado quase inaudível de um gato solitário.
    Ao lançar o GRITA, pelo habito da criação, supunha entregar a partitura para uma orquestra executar e poder ouvir a sonoridade de seus instrumentos. Não me dei conta de que somente alguns portavam seus instrumentos. Outros os tinha perdido nas mãos de ladrões, ou se enferrujaram por falta de uso, ou perderam suas cordas ou não afinavam mais. O concerto não pôde ser encenado. Estou levando de volta a partitura para as correções e adaptações para pequena orquestra e volto com menos pretensão. Quem sabe um samba pra animar os músicos. Antes da GRITA temos que achar a GRUTA, construir a GROTA, passar pela GRETA, soltar a GRITA, e tornar-se GRATA. Quem sabe chegaremos lá. Aguarde.

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