A PRAGA DO JABÁ

O vírus desta praga começou na era dos Disque Jóqueis no longínquo passado das emissoras de rádio, onde o produtor dos programas das paradas de sucesso recebia das gravadoras multi nacionais um “presentinho” para executar determinadas gravações, e passavam por cima dos lançamentos de outros artistas, manipulando o sucesso. O vírus desenvolveu-se a tal ponto, que foi incorporado pelos donos das emissoras em seu faturamento , e uma tabela de preços oficializa abertamente o jabá, cobrado mecanicamente, com direito até, a nota fiscal. Hoje, tanto no rádio, como na TV.

No passado, a Rádio Nacional, e outras rádios do pais, investiam nos artistas da música, (músicos, maestros, arranjadores, cantores etc) com contratos em escala compatível com o parâmetro de escolha advinda da aceitação popular e da opinião da crítica. O respeito à música como matéria prima de sua audiência, favorecia a sustentação de sua programação, atraindo o volume de anúncios de propaganda de produtos, e com isso o metabolismo da cultura musical brasileira, ia muito bem, obrigado. Seu elo unificante permanecia inalterado. Enrijecia-se assim a corrente de nossa evolução musical. Como o veículo era dirigido ao ouvido do cidadão, e a melhor coisa a ser oferecida aos “caros ouvintes” era a música, nada mais justo que fosse remunerada. Nada mais natural. Com o advento da praga, hoje se paga por isto.

As gravadoras do produto, com matriz no exterior, pagavam, primeiramente, pela execução de seus artistas de origem. Inundado nosso mercado com uma cultura estrangeira, forçavam o consumo de seus artistas, investindo, de quebra, no artista nacional, que absorvia essas culturas por osmose. Com isto, fortaleceram a sua disseminação, fazendo sucumbir os valores voltados ao desenvolvimento de nosso processo cultural.

Não é atoa que a maioria das rádios pertence a políticos. Faturam tanto com anúncios, como com a matéria prima nas quais deveriam investir. E pensar que as concessões do canal de uma rádio ou TV é cedida pelo governo. Por falta de leis e medidas, favorece a proliferação do vírus. Com uma simples canetada ele poderia curar essa praga. Na Esplanada, todos sabem disso, mas…

Prestes a romper o ano novo, ouvi de um artista descuidado, uma postulação a favor do jabá, confessando-se forçado a entrar no jogo, como fulano e beltrano que vivem se dando bem em alimentar a moléstia. Fiquei estarrecido ante a inflamante argumentação do colega, inteiramente contaminado. Meus argumentos só conseguiam exalta-lo a tal ponto, que entre seus largos gestos, um quase me acerta o quengo. O que dizer frente aquele Brasil imenso que fluía de sua empolgação? Um Brasil obrigado a engolir as deformações, abrigando em sua conduta a moral dos contemplados, perseguidores de uma volta sem caminho, mascando sua culpa como a um chiclete de bola.

Espocavam no céu de Copacabana Jabás coloridos nos fogos da passagem, enquanto eu pensava seriamente em focar, neste ano que se inicia, uma campanha no GRITA para se discutir a erradicação desta praga maligna que se instalou no sistema nervoso de nossa música.

Com a palavra os pacientes, curandeiros, acumpunturistas, homeopatas e alopatas entendidos no assunto. Manifestem-se através dos comentários ou encaminhem seus textos, para que possamos, a exemplo de algumas vitórias alcançadas no ano velho, erradicar essa maldita praga do JABÁ, neste feliz ano novo que se inicia.

Um apelo aos jovens talentos voltados à preservação de nosso patrimônio agonizante dos NOSSOS valores populares e eruditos: resistam à tentação das evocações dos vencidos e vacinem-se contra esta moléstia corrosiva de nosso tesouro cultural. Esta filosofia pseudo globalizante nada mais é do que um embuste, eleito pelo poder econômico, pra sugar o nosso sangue. “OLHO ABERTO, OUVIDO ATENTO E A CABEÇA NO LUGAR”.

Sergio Ricardo

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9 respostas em “A PRAGA DO JABÁ

  1. Brilhante, Sérgio. As pessoas que acham que “um Jabá não dói” deveriam repensar certas coisas. Jabá é corrupção. Quem corrompe é tão corrupto quanto aquele que recebe o “presentinho”. Além disso, fere a constituição. Mas, se não bastasse, é preciso que se perceba que, ao veicular nas rádios tais músicas dos presenteadores (e não mais compositores), se escreve na nossa história uma trajetória de produção artística, baseada no que vai a público, falsa. Quando, duzentos anos a frente, olharem para trás e buscarem entender o Brasil pela sua produção musical, essas pessoas verão a produção cultural do nosso povo ou o resultado de um perverso e corrupto quadro de indústria cultural? E hoje, entendemos o que o Brasil produz ou o que vemos da produção garimpada e semeada pelo capital da indústria cultural? Cultura é reflexo do povo? E agora Joseph?
    É isso, por enquanto vamos batendo por aqui e ouvindo gente que adora criticar os “corruptos de Brasília” fazerem a defesa de suas “pequenas” corrupções!

  2. Querido amigo:
    Isso me lembra uma planilha que corria em uma gravadora/distribuidora em que trabalhei no início dos anos 2000, com escala de horários, preços e número de execuções por música – uma história odiosa, que continua em nossos dias, com quase todas as rádios de SP envolvidas. Aos artistas que perguntavam como tocar em rádios, os chefes da empresa vinham com essa tabela, perfeitinha, com valores mais altos para os horários nobres etc e tal. Por outro lado, cabe-nos prestigiar rádios alternativas, como a Rádio USP FM que, de fato, toca a música que ela acha que deve ser tocada, além da Rádio Cultura AM. Enviemos nossos trabalhos a eles – eu posso lhes dizer por experiência própria que essas rádios tocam mesmo quando a música tem seu valor. De resto, camaradas, vale dizer que o que toca por aí, impulsionado por esse cancro, não é arte, é comércio, é entretenimento – é outra coisa.

    • Olá, Wagner, tudo bom?

      Estou realizando uma pesquisa sobre a industria cultural e seus efeitos na sociedade. Encontrei esse blog por acaso e sua resposta me pareceu muito importante já que é muito difícil encontrar dados concretos sobre essa prática nefasta que é o jabá. Será que eu conseguiria uma tabela dessas para anexa-la à minha pesquisa? Onde eu conseguiria encontrar essas escalas de horarios, preços e numero de execuções por músicas?

      Desde já agradeço sua atenção, um abraço!

  3. ó timo Sergio,tô dentro.Quanto ao famigerado início do jabá muita gente diz que começou tb com o Chacrinha,que exigia que o artista para participar do seu programa fizesse shows de graça pra ele na sua caravana e outras coisas mais,só que ninguém tem coragem de chegar e dizer abertamente isso.Abrs

  4. RESPEITAVEL SERGIO RICARDO
    A INSTITUIÇÃO DO “JABA” É TÃO NOJENTA, TÃO CRUEL, QUE EU QUE TENHO NO MEU CURRÍCULO MAIS DE 40.000.000 DISCOS X CD`S VENDIDOS DENTRO DO MEU PROPRIO PAIS SEM CONTAR AS PRODUÇÕES E VENDAS DO EXTERIOR , COMO PRODUTOR , COMPOSITOR E ARRANJADOR, E TAMBEM VARIAS COMPOSIÇÕES DE PRIMEIRO LUGAR ( SEM JAMAIS, EU DISSE JAMAIS, TER IDO AS RADIOS PEDIR QUALQUER EXECUÇÃO EM TROCA, OU ALGUM FAVOR PARA ALGUEM QUE EU TIVESSE PRODUZIDO, E MUITO MENOS PARA EXECUÇÃO DAS MINHAS CANÇÕES ) , GUARDO UMA REVOLTA MUITO GRANDE, POR TANTOS ARTISTAS QUE CONHECI , RELEGADOS E MALTRATADOS PELA IMPOTÊNCIA DE PODER TER SEU TRABALHO APRECIADO PELO PUBLICO . ALGUNS EXTREMAMENTE TALENTOSOS , ( VARIOS ) QUE JAMAIS TIVERAM CHANCE, EXATAMENTE POR ESSE CANCER MUNDIAL, CONHECIDO TAMBEM COMO “PEOLA”, CORRUPTELA DE “PLAY PAY” , “MISCILLANEAS” , OU OUTROS NOMES , DEPENDENDO DO PAIS QUE SE PAGA A PRAGA DO JABACULÊ . NÃO IMPORTA : É UM CANCER DE METASTASE .
    E AS PREMIAÇÕES ? QUE VERGONHA . MAIS JABA ……….. E A TV ? QUE NOJEIRA…….
    QUANDO LEMBRO DE TANTOS “TÁ RÁPIDOS” ( A PALAVRA TÁ LENTO , ACHO QUE DEVERIA SER TROCADA , DEVERIA SER TA RÁPIDO ) QUE CONHECI ASSIM COMO CANTORES , MUSICOS ,( ALGUNS GEEENIAIS ), TECNICOS DE GRAVAÇÃO, QUE ESTÃO EM SITUAÇÃO DEPLORAVEL, MISERAVEL, VIVENDO POR VIVER, PASSANDO TODOS OS TIPOS DE NECESSIDADE MUSICAL E PESSOAL. E AINDA MUITOS ACREDITANDO QUE TERÃO AINDA UMA CHANCE . DA VONTADE DE CHORAR POR ESSAS SANTAS ILUSÕES. MAS O VERDADEIRO ARTISTA , É ASSIM………
    E OS PREMIOS PARA ESSES VERDADEIROS TALENTOS , QUE NÃO TOMAM “UISQUINHO” ,COM PESSOAS DA ” MÍDIA” ( ÊTA PALAVRA MALDITA), QUE NÃO (PERDOE – ME) , “CHEIRAM CÚ” ” E NEM ” BABAM OVO ” . BOM , ESSES NÃO ESTÃO NUNCA NA PANELA.
    COMO EU GOSTARIA DE TER UM PROGRAMA DE TV, SÓ PARA TALENTOSOS, AQUELES QUE REALMENTE SÃO ARTISTAS QUE VALEM O QUE SÃO . E EU CONHEÇO TANTOS………….DAR ESSA CHANCE HONESTA DO PUBLICO DE DIZER SIM OU NÃO.
    TER A SUA ESCOLHA. CANTORES , MUSICOS, MAESTROS ,ETC, ETC , ETC……..
    ASSIM COMO ERA NA RADIO NACIONAL …………..
    MAURO MOTTA

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  6. Pois é Seo Zé……………o conceito da Ética deveria ser disseminado na mesma proporção da expansão virótica dos hábitos e costumes onde não só nossa cultura, mas a cultura geral do sêr humano, enxerga oportunidades de se locupletar. Na cultura do futebol de várzea (….eh, saudades….), pregava-se o “dois erros não fazem um certo (sic)”, mas as improbidades da própria instituição Estado, e a visão parca da Justiça, transformam os maus costumes numa prática diária e justificável para qualquer ato ilícito, seja ético ou moral. Em que se pautar nossos jovens e futuros dirigentes, senão nos clássicos exemplos que recheiam as páginas dos folhetins com desculpas tão convincentes para justificar atos inevidos, que até nós acabamos acreditando……como se fosse verdade. Mas para quem achou que já haviamos chegado ao fundo do poço, existem hoje as imagens que assistimos diariamente, mas enxergamos de forma mal interpretada, como:-….eu não rasguei os votos, erá só um envelope vazio……..ou……meu cliente não pode se apresentar à Justiça por conta da comossão popular……..ou…….as licitações foram efetuadas na forma da Lei………..ou………….vamos apurar os fatos e se houver culpados estes serão punidos com severidade!!!!!!!!!!!!!!

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