INFORME AOS PROFESSORES DE MÚSICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Enviado por SIDNEY MATTOS
Data: 4 de fevereiro de 2012 21:54
Assunto: [forum_musical] CARTA DE UM PROFESSOR
Para: forum_musical@yahoogrupos.com.br

Nós, músicos e professores de Música em exercício na rede oficial de ensino do município do Rio de Janeiro, vimos dialogar, por meio deste, com nossos pares e colegas de profissão, no sentido de comunicar nossa indignação e a necessidade de mobilização diante de recentes decisões da secretaria de educação deste município quenos des…respeitam frontalmente.

Ao voltarmos de férias nos chegaram as primeiras orientações no sentido de retomarmos as atividades docentes do ano letivo de 2012,
soubemos de uma resolução ‘baixada’ pela secretaria, na qual ficou decidido que os professores de música atuarão somente junto
aos sextos anos do ensino fundamental. No âmbito do ensino de Artes na rede oficial e suas diversas habilitações, as outras séries seriam atendidas pelos professores das outras áreas, como artes cênicas e visuais.

Ora, a decisão acima mencionada, além de antidemocrática, pois não foi discutida com as partes mais interessadas, como os próprios
professores em questão, não encontra qualquer respaldo científico que a justifique, ou mesmo legal que a sustente. Senão, vejamos:

1. Com a efetivação dessa decisão, os professores das chamadas “escolas de horário parcial”, que representam a grande maioria das unidades escolares (ver Resolução SME1178-Matriz Curricular 2012), verão sua carga horária extremamente segmentada ou fracionada, tendo que dar aulas em várias escolas da rede para preencher todos os seus tempos de modo a atender somente a turmas desexto ano.

2. Essa decisão vai de encontro a toda a legislação que trata do assunto, e mesmo contra as próprias resoluções da própria esfera municipal (idem), cujos textos corroboram a oferta do ensino de artes para todo o segundo segmento – do sexto ao nono ano do ensino
fundamental – sem distinguir entre as diversas habilitações do campo.

3. Quem se responsabilizará, senão os próprios professores, pelos custos originados pelos deslocamentos necessários a essa nova realidade? Ou seja, tal situação provocará uma perda salarial ainda maior do que aquela com a qual já nos acostumamos a conviver! Como ficarão os horários desses profissionais em relação à
possibilidade de compatibilização com outros trabalhos já estabelecidos anteriormente? Terão direito a horário de almoço em meio ao corre-corre promovido pela secretaria de educação?

4. E as escolas que só têm professores de música? O professor excedente terá que procurar lotação em outra escola?

5. O que fazer com os instrumentos e projetos existentes em algumas escolas que já consolidaram o ensino de música? Não há vontade
política de se pensar esse ensino a longo prazo, pelo menos no decorrer do ensino fundamental? Então, pra quê existe orientação curricular de música para os sétimo, oitavo e nono anos? Porque
existe EDUCOPEDIA de Música em todos os anos?

6. O professor de música se tornará refém das sobras de horário, já que será o último a chegar nas escolas, mesmo sendo o caso de professores com horários fechados nas suas unidades escolares de origem?

Sabemos que é difícil articular tanta gente num curto espaço de tempo, mas temos que tentar! Curto espaço de tempo porque se a situação acima realmente se configurar, é urgente que nos mobilizemos, e não aceitemos a nossa lotação, ou uma ‘re-lotação’, que fracione a nossa carga horária,comprometendo não só o nosso já miserável salário como a saúde e a qualidade do ensino!

O que a secretaria de educação do município do Rio está fazendo significa um desrespeito total ao conjunto de professores de música,adulterando a prática da lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas para todas as séries do ensino fundamental, ao limitar esse ensino aos sextos anos das escolas da rede. Com isso, ela consegue atender ao máximo de escolas com um mínimo de ‘mão-de-obra especializada’, à custa do dinheiro e da saúde do professor! E aí, onde fica a retórica de se criar uma identidade do professor com a escola, tão apregoada no projeto dos chamados “Ginásios Cariocas”, tidos como modelos a serem seguidos por outras unidades escolares? Trata-se de um casuísmo político, contra o qual devemos nos posicionar ANTES DESSE PROCESSO DE LOTAÇÃO SER EFETIVADO, senão não adiantará chorar pelo “leite derramado”.

TEXTO DE MARCELO TEIXEIRA

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2 respostas em “INFORME AOS PROFESSORES DE MÚSICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

  1. O importante texto de Marcelo Teixeira aqi encaminhado por Sidney Matos nos dá uma muito boa idéia das dificuldades que a implementação da educação musical vai enfrentar no Brasil, graças à inação premeditada o Ex-Ministro Fernando Haddad. De nada adiantram as inúmeras visitas de comissões representativas dos Educadores Musicais, os manifestos enviados, o engajamento e a participação direta de Daniela Mercury, após uma campanha vitoriosa que logrou mobilizar 11.000 signatários, 95 entidades nacionais e internacionais, 177 matérias publicadas na imprensa em todo o país. A recusa sistemática em publicar uma portaria regulatória que promovesse a implementação da Lei e que dessa forma comprometesse as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais do país.´Trata-se de uma recusa slistemática de apoio ao cumprimento da Lei, e que precisa mudar. Os tempos são outros e isso não vai ficar assim. Obrigado Sidney pela iniciativa.

  2. A demora é inadmissível. Colocam essa importante conquista nos escaninhos políticos/burocráticos. Quem perde são os músicos que poderiam, através de uma boa capacitação, trabalhar com constância. Quem perde são milhares de jovens e crianças que deixam de ter, assim, a possibilidade de usufruir de um canal afetivo, criativo e expressivo para substanciar seu desenvolvimento. Quem perde é toda a Sociedade. Quem perde é o Brasil!

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