ESCLARECIMENTO EM TEMPO DE ESCLARECIMENTO

É com permanente admiração pelo meu querido Sérgio Ricardo, que leio o seu comunicado a respeito da supressão repentina da publicação do texto integral da Ação ao Ministério Público de Manoel José de Souza Neto contra a gestão da Ministra Ana de Holanda, à frente da pasta da Cultura. É com rigor e critério que o faz, limitando, dando continente claro ao espaço aberto e democrático que ele criou e oferece a articulistas de todas as tendências e posições nesse momento fecundo de debates e de irresistíveis transformações no cenário das políticas públicas para a Cultura no país.

Enquanto ativistas, ambos compartilhamos de profundo inconformismo com os rumos que o MinC vem tomando desde o início dessa gestão da pasta em curso. Estamos vivendo um momento de extrema (in)delicadeza que reflete com grande nitidez a insustentabilidade de um projeto de gestão tão desastrado quanto já comentamos no GRITA! numerosas vezes.

É isso que está em questão aqui: a discussão de idéias. E a ação de Sérgio não se realiza enquanto censura: se realiza enquanto moldura e limite de ação. Os limites que este espaço se pretende como veículo para manifestações relativas à situação da Cultura no país. O compositor Leoni replicou neste espaço, uma ação que está em curso no Ministério Público, portanto, um documento essencialmente público e disponível a todos os cidadãos.

Sem julgarmos aqui o mérito dessa ação a priori, consideramos se não seria mais elegante dar notícia da existência da ação,  e limitar a comunicação a isso. Leoni, em sua prerrogativa de co-gestor deste espaço e como um cavalheiro que é, compreende e compartilha a criteriosa atitude de Sérgio Ricardo.

Felipe Radicetti

Carlos Mills e Felipe Radicetti comentam os rumos de nossa batalha na PEC da música. Aconselhamos a leitura.  http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/um-novo-tempo-para-a-musica-brasileira/

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6 respostas em “ESCLARECIMENTO EM TEMPO DE ESCLARECIMENTO

  1. Sérgio, Leoni e Felipe, fiquem tranquilos. Concordo com vocês, como autor da denúncia, membro do Conselho Nacional de Cultura e pesquisador, acredito que o caso, com texto intregal deve ser noticiado. Existindo conflitos, ofensas, debate desnecessário que gere mal estar ao Grita, este espaço deve ser limitado para que sua finalidade não se perca. A denúncia foi feita com critérios, rigor, nenhum outro interesses, nem associação a nehuma organização ou movimento, ao contrário, foi censurado no próprio movimento que sou fundador que é o FNM, hoje em parte alinhado com a Ministra. Essa denúncia é essêncialmente técnica, que só se tornou necessária, por conta do total ausência de dialogo, censura em listas e redes, distorções dos fatos na imprensa. Não fosse as atitudes da própria Ministra, todas as centenas de denúncias encontradas na imprensa e a má conduta na administração da reforma da lei de direito autoral, não seria necessário a REPRESENTAÇÃO junto ao Ministério Público, mas foi, por que não existe outra saida diante dos fatos. A denúncia esta sendo feita com a maior tranquilidade e em breve encaminharei a toda sociedade os textos com justificativas e demais documentos. Façam o que for certo para o movimento, o Grita tem meu apoio, no sentido apresentado por vocês, como espaço de divulgação de um “grupo de resitência às irregularidades no terreno das artes”. Se puderem divulguem a denúncia, nem que para conter os gritos dos amigos da Ministra, tenham que limitar as postagens e comentários. Estou aqui para contribuir com o interesse nacional, não para alimentar briga entre amigos, times ou partidos. Abraços

  2. E vc fique tranquilo também, Manoel. Enquanto foco e teor de comunicação, enquanto limite deste veículo, tenho tomado pessoalmente a defesa do GRITA! e do Sérgio Ricardo em sua atitude. Enquanto cidadão, artista brasileiro e ativista pela Cultura, concordo e apoio a sua iniciativa, onde encontrei intersecções em acordo com meus pensamentos e suspeitas a respeito dessa gestão desastrada da pasta da Cultura. Parabéns e sucesso. Abraço!
    Felipe Radicetti.

  3. Gostaria de fazer das palavras do Felipe Radicetti as minhas. Tenho sua pessoa num patamar elevado. Muita coragem com certeza você possui para abrir o verbo e tomar essa atitude.
    Deixo claro que não compartilho com os rumos tomados pelo Ministério da cultura. Na verdade é um grito de um multidão. Parabéns e tenha o meu total apoio como flautista e pedagoga.

    beijos,

    Josephina Carneiro.

  4. Há exatos noventa anos, no dia 13 de fevereiro de 1922, o Brasil dava seu principal grito de independência. Figuras como Mário e Oswald de Andrade, Villa Lobos, Sergio Buarque e tantos outros, traziam a fatura de uma confecção essencialmente cabocla definitiva, culta, sem o fetiche da arte como função civilizatória, mas como um grito de soberania. Daí houve a formação de um quadro institucional focado no debate sobre a temática da diversidade cultural brasileira. O Brasil já havia cumprido uma trajetória moderna, um processo complexo.

    A ideia da Semana de 22 não era uma busca por um acordo geral sobre tarifas e comércio no plano nacional ou internacional, muito menos buscava a normatização de convenções, o momento era célebre porque era contemporâneo, mas era, sobretudo no âmbito das ideias uma libertação do colonialismo e uma troca de temas produzida durante quatro séculos de nossa formação.

    Hoje, com o impacto corporativo em busca de uma indústria, o que falamos em arte? Nada. Falamos em proponente, produtores, institutos, fundações, esquemas de gestão, acúmulos de capital, fundamentos e fundamentos baseados em cláusulas, prestação de contas, ou seja, hoje temos o EMPRESÁRIO-artista, alguém que mudou de lado e que comete homicídio diariamente contra a cultura brasileira. E, neste momento, o Estado cumpre este infeliz papel, justo um ministério que deveria defender a nossa bandeira cultural. Cabe na cabeça de quem, os chefes da pasta da cultura beneficiarem grandes grupos empresariais transnacionais ligados à arrecadação de royalties e prejudicarem gerações e gerações de brasileiros, criminalizarem crianças e jovens que têm sede de conhecimento, se estes não pagarem o que exigem as corporações que hoje fazem a cultura brasileira de marionete para, através de vírgulas e pontos e de leis absurdas sugarem o conhecimento de um povo. Este é o fato.

    Noventa anos nos separam dos grandes sonhadores do Brasil baseados na célebre frase de Mário de Andrade, “vamos realizar o Brasil!”.

    Hoje, perdemos a mão, perdemos o espaço público, perdemos a bússula que nos indica o caminho de nossos direitos e fomos jogados a acreditar que deveríamos lutar por privilégios, pior, privilégios de poucos é claro, em detrimento de muitos.

    Nunca precisamos tanto de lucidez. Milton Santos explica de forma brilhante que as técnicas ditadas pelas corporações globais usam de forma exclusiva um sistema que é confusamente explicado para ser confusamente compreendido por nós. O Estado cada vez mais aprisionado pelas normas das corporações se vê ainda mais comprometido com o gerenciamento de sua própria máquina do que com o gerenciamento de um órgão em prol da sociedade. Este é o ponto, esta é a distensão. O momento é de extremíssima reflexão, coragem e responsabilidade.

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