REPRODUÇÃO DE UM BRILHANTE COMENTÁRIO

Carlos Henrique Machado Freitas , em  14 de fevereiro  2012 às 0:49 disse, comentando o artigo de Felipe Radicetti mais à baixo:

Há exatos noventa anos, no dia 13 de fevereiro de 1922, o Brasil dava seu principal grito de independência. Figuras como Mário e Oswald de Andrade, Villa Lobos, Sergio Buarque e tantos outros, traziam a fatura de uma confecção essencialmente cabocla definitiva, culta, sem o fetiche da arte como função civilizatória, mas como um grito de soberania. Daí houve a formação de um quadro institucional focado no debate sobre a temática da diversidade cultural brasileira. O Brasil já havia cumprido uma trajetória moderna, um processo complexo.

A ideia da Semana de 22 não era uma busca por um acordo geral sobre tarifas e comércio no plano nacional ou internacional, muito menos buscava a normatização de convenções, o momento era célebre porque era contemporâneo, mas era, sobretudo no âmbito das ideias uma libertação do colonialismo e uma troca de temas produzida durante quatro séculos de nossa formação.

Hoje, com o impacto corporativo em busca de uma indústria, o que falamos em arte? Nada. Falamos em proponente, produtores, institutos, fundações, esquemas de gestão, acúmulos de capital, fundamentos e fundamentos baseados em cláusulas, prestação de contas, ou seja, hoje temos o EMPRESÁRIO-artista, alguém que mudou de lado e que comete homicídio diariamente contra a cultura brasileira. E, neste momento, o Estado cumpre este infeliz papel, justo um ministério que deveria defender a nossa bandeira cultural. Cabe na cabeça de quem, os chefes da pasta da cultura beneficiarem grandes grupos empresariais transnacionais ligados à arrecadação de royalties e prejudicarem gerações e gerações de brasileiros, criminalizarem crianças e jovens que têm sede de conhecimento, se estes não pagarem o que exigem as corporações que hoje fazem a cultura brasileira de marionete para, através de vírgulas e pontos e de leis absurdas sugarem o conhecimento de um povo. Este é o fato.

Noventa anos nos separam dos grandes sonhadores do Brasil baseados na célebre frase de Mário de Andrade, “vamos realizar o Brasil!”.

Hoje, perdemos a mão, perdemos o espaço público, perdemos a bússula que nos indica o caminho de nossos direitos e fomos jogados a acreditar que deveríamos lutar por privilégios, pior, privilégios de poucos é claro, em detrimento de muitos.

Nunca precisamos tanto de lucidez. Milton Santos explica de forma brilhante que as técnicas ditadas pelas corporações globais usam de forma exclusiva um sistema que é confusamente explicado para ser confusamente compreendido por nós. O Estado cada vez mais aprisionado pelas normas das corporações se vê ainda mais comprometido com o gerenciamento de sua própria máquina do que com o gerenciamento de um órgão em prol da sociedade. Este é o ponto, esta é a distensão. O momento é de extremíssima reflexão, coragem e responsabilidade.

Carlos Henrique Machado Freitas

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Uma resposta em “REPRODUÇÃO DE UM BRILHANTE COMENTÁRIO

  1. Bravíssimo Carlos Henrique Machado! Mas ainda está em tempo. O Brasil está mudando e se tivemos um pequeno período desse encontro com a cultura nacional interrompida pela ditadura Vargas… o sonho permanece em muitos de nós… Retroceder jamais! Lutemos por aquilo em que tanto acreditamos e tentamos colocar em prática com muito sacrifício.

    Josephina Carneiro.

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