A INTERNET ABRIU AS PORTAS DO CÉU.

Por Carlos Henrique Machado

 

Nassif, acho que toda essa revolução digital não está sendo analisada com a profundidade exigida para compreendermos como é prodigiosa a missão história que a internet vem cumprindo na seara da cultura. E por mais que se conteste o valor maior da internet que, a meu ver, é o mais extraordinário instrumento multidisciplinar inventado pelo homem, mesmo que a ressonância plena dos novos tempos ainda não tenha se completado, entre passado, presente e futuro, há uma incontestável mudança no cosmos brasileiro, digo, sobretudo na comunidade que se instalou na internet em beneficio da nossa cultura.

Quando proponho aqui esse debate, não é por acaso, pois sei de sua paixão, assim como a minha, por buscar em nossa memória pérolas, ou melhor, ouro em pó que estão escondidos na história da música brasileira e como algumas vezes você mesmo me passou informações fundamentais, sobretudo da obra de Garoto. E recentemente nos encontramos naquele magnífico espaço criado pelo Alexandre sobre a obra fantástica de Nazareth, seria bom colocar aqui sem biombos essa pauta em debate, por considerá-la fundamental para a compreesnsão do extraordinário benefício que essa memória disponibilizada na internet tem trazido à produção artística contemporânea, à sociedade brasileira, privada quase sempre de conhecer sua própria história, e as vantagens para o futuro do Brasil que as aventuras do passado podem elencar.

p>O fato é que, ao contrário do que lamentavelmente alguns insistem em dizer, que a internet é uma câmara de tortura para a produção cultural brasileira, ela é, na realidade, uma declaração de guerra ao esquecimento de nossa memória. E essa força temida por alguns prosseguirá sempre tomando partido da sociedade criando uma nova consciência, longe dos esteriótipos e das visões comprimidas e estreitas que, por obra da ortodoxia do Estado e da hegemonia do mercado, foi instalada no Brasil.

Acho que, ao conttrário da destruição de nossa produção cultural, a internet está se trasnformando em um vulcão de novas possibilidades, abrindo um debate sobre as questões de nossa época, tendo cada vez mais acesso às pesquisas na internet, sobretudo na área musical, sobre os grandes mestres brasileiros, o que proporcionará e muito uma amplitude teórica e técnica da concepção didática da arte brasileira.

Não tenho dúvidas de que teremos, a partir de vários pontos de identificação, um volume representativo de qualidade que nunca tivemos, pois aplicaremos valores com muito mais capacidade de adaptação à produção contemporânea que não serão mais julgados isoladamente por um único ou por poucos estudiosos.

Você mesmo, Nassif, com certeza vê que o acesso social que esta ferramenta tem produzido para o futuro do Brasil, é uma maravilha. Estamos tendo acesso à tradição brasileira, desde os catimbozeiros até a força de uma produção estilística dos grandes compositores sinfônicos que nem mencionados mais eram por críticos e pesquisadores para uma discussão sobre o Brasil.

O que digo é que a internet está fundindo épocas, pelo menos recuperando muito do que foi registrado e que andou perdido em algum depósito, mas que agora ganha valores e títulos de documentos magníficos. E é sobre tudo isso que eu acho que vale a pena uma discussão, em nome do que Camargo Guarnieri chamou de “espírito do tempo”, em seu livro auto-biográfico, “O Tempo e a Música”.

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Uma resposta em “A INTERNET ABRIU AS PORTAS DO CÉU.

  1. Compartilho com essa visão do Carlos Henrique. Não é à toa que grupos obscuros de poder estão tentando frear e limitar a liberdade na internet. É um excelente meio para se proceder uma genealogia, de onde salte conexões inusitadas refletindo o real emaranhado da vida cultural e sócio-política. A riqueza surpreendente do “Vale dos Tambores” é um exemplo de como é possível substituir uma histografia da origem, como é feito na maioria dos trabalhos que se apoiam nos “fatos” imutáveis dos agenciadores da inevitabilidade do presente oficial, por uma genealogia que levante os dados sem nenhum compromisso de levá-los ao encaixe “histórico” que normalmente os subordinam a um interesse subjacente: de se demonstrar a tese que liga o ponto A, no passado, ao ponto B, no presente.
    Pela internet podemos acessar informações que jamais estariam disponíveis numa biblioteca, e mesmo se estivessem, seria humanamente improvável que alguém conseguisse tratá-las da forma como é possível hoje. Por isso mesmo acredito que será o fim do grande campo unificante, erguido sob encomenda, para estabelecer como verdades absolutas suas regras, suas leis, suas políticas, nos distintos domínios em que impõem seus interesses nas relações de poder.

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