O GRITO DA CULTURA

O GRITO DA CULTURA
por TT Catalão
No rastro do 7 de setembro infiltra-se o grito da cultura: dependência é morte! Digo da Cultura: o processo vivo de modos e meios de ser, pensar, fazer e se expressar em muitas linguagens. Nem tanto, Arte: produtos derivados de processos mais ou menos diluídos segundo leis de mercado

ou patotinha estética.

O grito dos excluídos (já tradicional) poderia acolher o derivado cultural, mas poderia haver um mais veemente na área. O Globo, de 5 de setembro, traz o banimento do tema nas campanhas eleitorais do Rio. Não é só no Rio. Há um despreparo histórico de políticos e partidos na eleição (epa) de temas referentes ao artístico (principalmente no volume de eventos) e desconhecimento do processo cultural, vivo.

O processo cultural é mutante, exige fluxo, é orgânico. O produto cultural, como o próprio estágio determina, está pronto, acabado, para consumir ou por grana ou por garra. Um não invalida o outro, nem há hierarquia de importância maior ou menor. Mas quanto mais o processo for vivo, aberto, rico em diversidade de expressões e libertário menos produtos mortos, mais-do-mesmo, acabadinhos em suas gôndolas de gosto-não-gosto teremos.

Incluam-se as diversas faces do processo cultural em muitas camadas de infraestrutura que possibilitem condições operacionais entre o criar (liberdade de expressão na base) e políticas públicas claras aplicadas em linhas de fomento; dotes orçamentários; fundos de financiamentos para todas as linguagens (erudito, pop, tradição e vanguardas); estrutura física de espaços com manutenção permanente; disponibilidade e a garantia de acesso a equipamentos e informações; quadro de pessoal e salários dignos para trabalhadores da área; circuitos para trocas de vivências, pensares e fazeres; oficinas de preparo e reflexão; cultura digital com base em software livre; base de dados e indicadores atualizados; tratamento da memória em fluxo aberto de museus abertos ao dialogo contemporâneo; mais núcleos autônomos praticantes da cultura em rede ampliando uma teia de serviços e ações em que não haja periferia quando cada um pode ser centro irradiador (ave, banda larga); tirara poeira das teses proclamadoras da fundamental relação educação-cultura e colocá-las no campo via agentes dentro e foras dos currículos regulares (salve a velha Escola-Parque e o Artes-Oficio de Anisio Teixeira); colocar no mesmo sacrossanto balaio as relações entre Cultura-Meio Ambiente (afinal, o meio ambiente começa no meio da gente), Cultura-Economia e Cultura-Saude por ser impossível dissociar o simples sobreviver básico do existir com mais qualidade e, criem-se legislações mais adequadas a essa fase inicial de organização cidadã e comunitária de grupos culturais e indivíduos para que se mantenha o óbvio rigor pelo zelo ao dinheiro público sem matar a autonomia pulsante desses grupos ou pessoas. O CNPJ não pode matar o sonho. Nem o crachá, matar o axé!

O grito da cultura não conterá raiva, mágoa ou desprezo pela beleza original do prazer que a cultura desperta.

Indignação na dose certa para mostrar que artista não é bibelô do Sistema, convocados para animar as culpas da Casa Grande e massa acrítica, depauperados e coitadinhos pela ablução de migalhas. Não só o buraco, mas a camada de ozônio é mais embaixo: enquanto arte for privilégio, cultura será acessório. E quem não tem balangandans não vai ao Bomfim! Dependência é Morte!

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