Salvador Dali no samba do criolo doido

Não tenho certeza nenhuma sobre a conclusão, sequer da quantidade de articulações que estejam sendo feitas  sobre o intrincado impasse criado em torno do destino dos criadores da música no país. Sei que a luta se acirra por parte de várias tendências, desde a mais oportunista à mais ingênua das facções, envolvendo alguns milhares de detentores de seus direitos autorais, apontando, por um lado para o conflito a ser resolvido entre os que defendem seus direitos e por outro, ignorando  os milhões de criadores espalhados pelo pais que sequer constam no quadro dos catalogados, e jamais receberam um centavo de seus direitos. Não que todas as facções ativas estejam de costas para isto, mas pelo fato de, neste momento, estarem se empenhando numa luta pela solução de um problema elementar e simples, que na verdade não necessitaria de uma estratégia de guerra que se delineia nas intrincadas discussões estabelecidas nesse enovelado dramalhão em torno de um território ocupado por uma quadrilha de meia dúzia de pessoas, fácil de ser vencida, pela singeleza de uma lógica ja apurada pelo empenho do governo, que até o momento não conseguiu vencer sua prepotência. Milhões de trabalhadores da música, juízes, parlamentares, nas mãos de meia dúzia de pessoas!? Será que temos que buscar em Leonardo da Vinci a luz para este problema? “Ali onde se discute interminavelmente não há verdadeira ciência, a verdade não tem mais que um só termo, e este, uma vez expresso, destrói o litígio para sempre.”

O que tanto se discute? Não estamos postulando um cataclismo nem a morte de ninguém. Queremos tão somente mudar os funcionários de nossa casa para se saber que destino dar a milhões de seus verdadeiros moradores, (não só aos milhares privilegiados, nos quais me incluo) mas aos sem teto, ignorados pelo sistema de comunicação e que distribuem, a preço de banana, a alegria a centenas de milhões de brasileiros espalhados por aí, de quem o ECAD toma porcentagens de suas miseráveis receitas e que não lhes devolve. Além das falcatruas conhecidas.

Nunca podia imaginar que uma chama tão pequena, pudesse produzir uma fumaça tão gigantesca como a que somos obrigados a respirar neste sufocante momento em que bastaria um pequeno sopro. Pois é, caros colegas. Simples assim. Eles, unidos, formam a força que estamos verificando que possuem. Ao ponto de conseguirem fracionar-nos em grupelhos digladiando entre si, pulverizando a nossa força. Que tal fazermos o mesmo e tomarmos um único caminho para o bem de todos? Não se trocam ministros? governos? papas? regentes de orquestra? galo de galinheiro? madrinhas de tropa e os cambau? Porque não podemos trocar meia dúzia de funcionários que botam a casa de milhões de artistas de perna pro ar?

Nem Salvador Dali conseguiria pintar o surrealismo desse quadro. Meia dúzia de folgados com dedões no sovaco agitando os dedos galhardamente gozando com a nossa cara e com o fruto do talento de milhões , do governo inclusive, em pranchetas algébricas e legislativas intrincadíssimas, quando um pequeno sopro aritmético  resolveria isso com dois tapas. Ou então, eu é que sou uma toupeira e a ha muito tempo deveria estar calado e nunca mais tocar neste assunto nauseabundo. Ou juntamos essas facções em torno de nosso singelo objetivo, ou adeus Guacira!  Podemos ter, como classe, milhões de defeitos, mas burros não somos. Pelas barbas do profeta!

A principal função da arte é unir as pessoas. De posse desse dom, o que nos impede de usa-lo também em nosso próprio benefício? Que tal darmos tratos à bola e começarmos de uma vez por todas a priorizarmos uma ação neste sentido? A hora é esta.

Milhões de abraços

Sergio Ricardo.

 

 

 

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