Sobre os Comentários, Curtições e Compartilhamentos

Além de estar com meu ego nas alturas, acariciado pela generosa acolhida unânime ao meu texto, constato algo vibrando no comentário de todos: uma  expectativa de mudança da atual realidade cultural de nosso país, mergulhada numa pergunta objetiva: o que fazer? Não dirigida a mim propriamente, mas a todos nós, noventa e tantos por cento dos artistas brasileiros, transformados na ralé cultural. Cada um de nós procurando em si mesmo uma resposta concreta, não mais para salvar-se individualmente do caos estabelecido, mas a procura de extrair de nossos iguais algum movimento coletivo que consiga aglutinar um numero expressivo de vítimas dessa ditadura da expressão artística do país, ou mais precisamente, da alma de nossa gente. Daniel Figueiredo lembra bem em seu comentário sobre a abelha sozinha que acaba abatida, diferentemente do enxame de abelhas que põe o abatedor para correr. Estamos precisando crer na nossa força conjunta para formarmos nosso enxame. Desculpem-me os céticos pela minha teimosia em não aceitar a brochura atribuída ao artista brasileiro, individualista por natureza, despolitizado, ingênuo, impotente ante as transformações, etc. etc. Balela pura. Intriga de oportunistas de variada natureza para impedir o avanço de uma categoria que expressa a verdade de seu povo, com o objetivo óbvio de manter adormecido o gigante pela própria natureza. O artista não é um alienado nem covarde. Sua maior prova de coragem é entregar-se à usa profissão, que exige muita raça e determinação. Só lhe falta sair de si mesmo e buscar seus iguais para criar o enxame imbatível. Como o pais é grande e diversificado, se cada vetor criasse o seu próprio enxame e se os juntasse num enxame gigantesco, teríamos suficiente poder para operar a transformação. Temos vários exemplos históricos:  o movimento contra a ditadura: a guerra dos farrapos, dos pelados, etc., na política. A Bossa Nova, a Canção de Protesto, o Teatro Opinião, O Cinema Novo, o movimento de 22 etc., nas artes. E porque não, agora, a “Revolta da Ralé”, ou  algo parecido para tirar o pais dessa subserviência cultural, intelectual, como se fôssemos um bando de idiotas?Temos que abrir nossos baús e escandalizar o mundo com nossa criatividade, como já o fizemos muitas vezes em nossa história.

Essa pouca vergonha que nos comanda o desânimo, não pode mais atingir nossa juventude que está mergulhada no conformismo imposto pelos oportunistas. Não é à essa altura em que a humanidade luta para se livrar do caos imposto pelo sistema que tenhamos de ser os primeiros a brochar.

Sinto no ar algo germinando entre setores sérios de nosso universo a buscar soluções e de uma hora para outra, desta ou de outra maneira nossa luta se transformará no assunto em pauta diária e temos que estar preparados para debater nossos propósitos com objetividade para nos livrarmos desse caos. Nossa ralé que se organize e tratemos do renascimento.

De minha parte ofereço o espaço no nosso  GRITA para deflagrarmos uma ação com notícias e considerações ou sugestões a respeito de uma possível organização nacional. Deixem expressas suas convocações, experiências e fatos concretos, notícias e articulações. O GRITA é uma tribuna livre para discutirmos e articularmos as questões. Não serei o juiz. Gostaria de contar com alguém ou grupo que se prontificasse a coordena-lo, com autonomia, pois não possuo a menor competência administrativa. Essa casa agora, mais do nunca, é de vocês. Venham ocupa-la e remodelá-la. Estou pronto para passar a escritura. Só quero a permissão de vez por outra editar meus textos, para continuar a descer o cacete, ou oxalá, para comemorar nossa vitória.

Muito obrigado pela fraterna acolhida e um beijo para todos.

Sergio Ricardo.

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Uma resposta em “Sobre os Comentários, Curtições e Compartilhamentos

  1. g.r.i.t.a. é um passo importante para congregar os egressos do processo cultural brasileiro e uma plataforma de resistência contra a política oficial de promoção consenso pela apatia e reanalfabetização cultural da juventude. queiramos ou não, a união faz a força e a luta continua.

    e. san martin, jornalista, Nova York

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