Queridos Colegas da Música

Nós fazemos parte de uma categoria da sociedade, bastante diferenciada. Movida pelo amor que temos por nossos colegas. O meu amor, nascido nos idos dos anos cinquenta, sessenta, quando descobri nosso universo no contato diário com os melhores músicos da época, com os quais aprendi a respeitar e admirar os verdadeiros talentos, e sobre tudo as características que nos diferenciavam dos demais setores da sociedade, até mesmo do variado espectro cultural. Haviam uns que conversando ou opinando sobre qualquer tipo de questão, usando uma gíria própria, carregada de achados de humor, ou síntese, diziam coisas aparentemente desconexas ou abstratas, às vezes de modesta ou grande sabedoria, ou de ingenuidade acachapante. Mas ao pegar seu instrumento, ou soltar a voz, ou compor, ou arranjar, revelavam talentos de dar inveja a qualquer jazista ou sinfonista super preparado. Muitas das vezes sem nunca ter estudado música. Seu conhecimento herdado da natureza, chegou à genialidades tais, de fazer inveja aos entendidos de todo mundo. Bastou-lhes aprender a seguir as cifras simples de uma partitura para dar vazão às suas genialidades musicais. Seria demais exigir de suas cabeças o entendimento minucioso de qualquer problema da cidadania, pragmático, cheio de siglas e escaninhos políticos, morais, etc. etc. Isto era mais assunto para os donos do sistema comercial da música a ditar regras e modismos, metidos a discutir os destinos da classe. O documento que sempre nos apresentam com as reivindicações que acham levemente convincentes, conseguem nossas assinaturas sem grandes problemas. Esta é uma das razões fundamentais de havermos nos tornado numa categoria desunida. Se nos forem perguntar se sabemos exatamente o que assinamos, saímos logo com os jargões: Fui na onda do fulano, nem li direito, não entendo nada de leis, não tenho saco pra essa discussão, etc. etc. Sinceramente, eu nunca li um contrato que me pedem pra assinar. É cada termo jurídico que embaralha qualquer cristão. Vou pela palavra. Falou, tá falado. E passo lá meu jamegão, crente que vou ficar rico depois daquilo. Quando me perguntam se assinei, a primeira coisa que respondo é: que papel? que contrato? Sei lá. Não me lembro. Não tenho tempo nem saco pra me tocar. Noventa e nove por cento de meus colegas fazem o mesmo. Estou farto de ouvir: pô cara, então tire meu nome da lista, eu não entendi direito. Ah, mas foi contra a classe, cara! Desculpe, não atinei pra isso. Tire meu nome, por favor. É cruel. Mas convenhamos que nossa linguagem requer um nível de abstração fora de série. Responsabilidade? Cabe aos caras que estão cuidando disso nos prestar contas de nossos direitos e não vir nos incomodar com assuntos escabrosos. Temos mais o que fazer. Alienação é o cacete. Alienação é errar um acorde, ou desafinar uma nota, ou atravessar um ritmo, na hora do show. Cada macaco no seu galho. Você não assumiu o seu show de organizar a metodologia de nossos direitos? pois cumpra sem pedir nosso aval que já deve estar naquele contrato que assinamos. Os incompetentes que cedam seu lugar para outro e não fiquem a mamar nas tetas dos que não sabem solar o seu instrumento. Se não tem competência não se estabeleça! Nunca lhes pedimos que viessem assinar ou interpretar nossas canções. Se tem polícia para impedir um espetáculo, porque não vão correr atras de ladrões do direito autoral? Do que adianta uma assinatura da classe num documento que favoreça a permanência daqueles que estão mamando nosso próprio direito? Que culpa temos nós de sermos induzidos pelos ardis contra nossa natural incompetência administrativa? Isto só está servindo para esfacelar e dividir nossa categoria cansada da incompetência dos que se arvoram a defensores de nossos direitos. Claro que temos todos o nosso defeito. Mas há colegas, que por ambição e competência no palavreado, induzem a uma grande camada da classe, para que possam se manter em seus cargos administrativos, que passam por cima dos desacertos com seu cachê administrativo, que por si só já passaram para o lado dos não artistas, tentando iludir a gente, sem conseguir dar respostas sobre as irregularidades. Cadê meus direitos, de Caetano Veloso, e de muitos outros na conta do laranja Coitinho? Nem sequer uma satisfação nos dão, quando se os põe na parede. Isto não é nada. Irregularidades campeiam nas sombras de uma corja que agora se esconde na multa que lhe foi imposta pelo CADE. Se fossem corretos isto não teria acontecido. Se agora seremos nós a pagar o prejuízo a culpa não é do governo ou de quem quer que seja. É dessa corja que está aí a se aproveitar de nossa santa ingenuidade. ESTÃO NOS USANDO. NÃO CAIAMOS NESTA ESPARRELA. É ALTAMENTE CONVENIENTE PARA ELES DIVIDIR A NOSSA CLASSE. HA COLEGAS NOSSOS NOS VENDENDO POR TRINTA DINHEIROS. C U I D A D O !!!!

Não se importem de tirar seus nomes das listas que correm por aí. Não há vergonha nisso. É até uma prova de coerência com nossa categoria que não é obrigada a se ligar nessas coisas de leis. Já vencemos nossa primeira etapa, amparados por cabeças de nomes importantes de nossa música, detentores de boa parcela da arrecadação, que poderiam permanecer calados, mas que amparados por grandes advogados, legisladores, organizações compostas de compositores, que estão a frente de uma grande mobilização para moralizar o direito autoral, e o extermínio desse câncer que está sufocando nossa classe musical,já chegaram a essa conclusão. Não percamos essa oportunidade de ouro !!! O RESTO É PAPO FURADO. VEM PRA RUA VOCÊ TAMBÉM.

Beijos
Sergio Ricardo

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10 respostas em “Queridos Colegas da Música

  1. Sérgio… a grita é histórica… Parabéns… não apenas pela opinião, mas inclusive por ter garantido minha voz perante críticos que tentaram abafar o caso ECAD e ex-ministra da cultura, quando procurei denunciar o caso junto ao MP. o MINC estava dominado pelo ECAD, e sem aquele combate, não teríamos dado o passo que foi dado. Agora o PL 129 passou e a música vai avançar…

  2. Certíssimo meu poeta maior, é isso mesmo. Quem está contra nós são aqueles “músicos” que trabalham para esse sistema corrupto que aí está. Agora estão morrendo de medo de perder sua “mamata”, vão para os jornais reclamar e fazem lista, como o Sr. Ronaldo Bastos, dirigente da UBC (União Brasileira de Compositores), uma das sociedades ligadas ao ECAD, que soltou nota na coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo. Uma vergonha para a classe, mas ainda bem que é uma minoria. Nossa luta continua, e eu estou sempre do seu lado. Beijos.

  3. Pra quem fundou sozinho uma Associação de Músicos (Acamp – Associação Capixaba de Músicos Profissionais), sem fins lucrativos, existente desde 2006, sem cobrar mensalidades ou anuidades, segurando sozinho todas as despesas, até com emissão de carteirinha de sócios, sem receber nada por isso, denunciando irregularidades de sindicalista local que já se hospeda no cargo a 22 anos e cheio de irregularidades comprovadas e transformadas em ação civil pública, com ameaças de morte deste denunciado, sendo idoso e obstinado, NADA MAIS ME SURPREENDE NESTE SEGMENTO CULTURAL!
    O problemas não esta nas leis, mas nos homens que as manipulam! A classe é desunida porque quem tem o poder ou influência comercial e política na localidade em que atua, não quer perdê-lo ou dividi-lo com ninguém ! Sem falar no ego destes!
    O que ninguém lembra é que não somos eternos! NADA que consigamos conquistar aqui, será levado “pra lá, sabe-se onde né?”.
    Que deus tenha piedade dos músicos, E DE MIM TAMBÉM!
    Jorge Egbert – Vitória/ES –

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