A CHICO O QUE É DE CHICO

Que que é isso minha gente!!! Deixem o Chico em paz. Inventa-se uma atrapalhada dessas e resolve-se escolhe-lo como mártir? O cara está escrevendo o livro dele lá, sossegado nas suas abstrações criativas e de repente é obrigado a descer ao nível do chão para dar um veredicto? O que é que ele tem a ver com toda essa história, fora uma ínfima parcela de opinião endossando a opinião de um grupo, que dada a atomização de conceitos e debruçadas conjecturas jurídicas, deveria até passar por despercebido?

Que saco! Até com uma coisa como esta voltada frontalmente pra uma decisão da justiça, super debatida e multi facetada em conceitos, querer crucificar uma pessoa  por contraposições de declarações passageiras corretas ou não, de boca pra fora, como se fosse num papo de botequim, dando-lhe características tão determinantes, como se tivessem sido proferidas num tribunal de Nuremberg?

Pera aí brasileiro ! Vamos com calma. Os vértices que convergem para o centro dessa circunferência são inúmeros, muitos dos quais colocados por induções maléficas ou equivocadas, sem profundidade jurídica, embaralhando o meio de campo, mas com suficiente permissão de autocrítica para quem quiser rever suas posições. Não é um Deus nos acuda como querem os detratores. Chico não está contra nada que interfira na normalidade da democracia e nem está querendo censurar nada, principalmente à exemplo da censura na ditadura. Ficaram doidos? Logo ele?

Desculpem, mas como sou de uma geração anterior à dele, pude assistir sua coragem, e respeitá-lo pegando uma bandeira libertária em plena ditadura, de nossa mão que havia sido decepada pela censura, praticamente só, assumindo a resistência, e sem temor algum, não só resistindo como enchendo nossa história de obras antológicas, que por si só justificariam sua aparição no cenário cultural de nosso pais. Sua participação como um guerrilheiro cultural teve o efeito de um batalhão armado precipitando a queda da ditadura. Um Leão. Tem direitos adquiridos que lhe permitem até pisar na bola se fosse o caso.

É tão inferior essa picuinha, que chega a parecer tramoia daqueles que torcem pela volta da ditadura. Desta sinuca que estão pretendendo lhe aplicar, Chico tem suficiente personalidade e sabe sair dela. Nossa obrigação como cidadãos  é poupa-lo de uma sinuca de bico. Seria uma sacanagem inominável dos detratores, não só à sua pessoa como ao povo que o consagrou e o colocou no topo da árdua construção e conquista de nossa democracia. Sua biografia está escrita no coração da história de nosso povo. Segura essa. Solidariedade não é só uma palavra. Dá um tempo!

Sergio Ricardo

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14 respostas em “A CHICO O QUE É DE CHICO

    • O fato dele ser um gênio da música e de letras sensacionais, não da a ele o direito de falar besteiras , até pq, da pra perceber que ele não sabe e não se informou das implicações das suas manifestações. Os historiadores estariam completamente tolidos com esta censura que pretendem.

      • Já a condição de ser humano dá direito a ele falar a besteira que quiser e até o direito de se arrepender delas. Qualé?

  1. Mas a questão não é o Chico. Vamos olhar para o todo e, francamente, o que eu sei sobre o Chico já me basta. Porém,, se para fazer a biografia de um FDP da ditadura esta tiver que ser autorizada, então acabamos com a história! Não existe mais os vários olhares históricos. Uma das coisas mais interessantes nas biografias não é exatamente saber futricas pessoais,, mas, os contextos históricos em que a vida das pessoas estavam inseridas. É só isso!
    . .

    • Você está absolutamente certa. Mas o que estou debatendo é que se está fazendo parecer que Chico esteja levantando esta bandeira, e que deve ser sacrificado por isso. Há um carnaval na mídia sobre isso. Aí é que está o buzilis do papo. Não é ele o responsável por este caos. Ele é o cara mais biografado do país, rodeado de fofocas de oportunistas e nunca processou ninguém (como acho que seria seu direito, como todas as facções estão defendendo) e nunca se preocupou com isso. Não é sobre ele que tem que recair a responsabilidade dessa opinião. Está indignado com injustiças feitas aos companheiros vitimados por fofocas e é mais do que natural que manifeste sua indignação. Seja evocando a censura, medida judicial etc. que são as únicas saídas contra as aberrações dos oportunistas, que aos olhos de um artista que nada entende de lei, significam a necessidade de uma medida a ser tomada. A justiça e a sociedade é que determinem a solução. As diferenças entre as várias opções não é da alçada do artista, o que não justifica uma retaliação direcionada a um artista do tamanho de Chico Buarque por questões semânticas de um desabafo indignado. Muito menos por faze-lo de mártir como se fora o inventor dessa discórdia. Isto é o que acho injusto.

      A sua ponderação é mais do que justa mesmo em se tratando do FDP da ditadura, desde que a delação seja comprovada. A mentira, a falta de provas é que não podem passar para a história se não vira o samba do crioulo doido, como tem acontecido com bastante frequência.

  2. Aos Idiotas de Plantão

    Bem, cansei. Mas vou falar ainda uma vez mais. Antes porém, não estou aqui para defender o Chico Buarque, não sei se ele precisa disto, e muito menos se gostaria de ser defendido. Estou aqui para defender um argumento que passa pelo Chico.

    No caso da entrevista, que está deixando alvoroçados os idiotas de plantão, o Chico não precisaria sequer reconhecer nada. Pois o contexto da sua colocação é perfeitamente compreensível. Ele tratava do assunto biografia do Roberto Carlos. Neste contexto ele diz que o sujeito que escreveu esta biografia, e que o cita entre os entrevistados para tal, estaria mentindo sobre esta entrevista, e que ele, Chico, nunca a teria dado. E de fato, como veremos, nunca a deu.

    O sujeito mostra uma entrevista de quatro horas com o Chico, feita há 20 anos, onde faz uma única pergunta sobre o ritmo do iê-iê-iê, e o fenômeno Roberto Carlos na época de 1968. Sim, amigos, a única pergunta do cara é exatamente esta: como ele, Chico, via, em 1968, o ritmo do iê-iê-iê, uma vez que ele, Chico, já fazia MPB.

    Pois bem, desta única pergunta, o cara resolve dizer que para escrever a biografia do Roberto Carlos se baseou em entrevistas que fez com várias pessoas, entre elas o Chico Buarque.

    Ora vai mentir assim na ponte que caiu… esta entrevista feita quatorze anos antes do sujeito escrever o livro é evidente que não tinha nada a ver com a biografia que seria escrita anos depois. Quando vamos entrevistar alguém para escrever a biografia de outro, o fazemos com uma entrevista sobre este tema, as perguntas são sobre a pessoa a ser biografada, e não apenas uma única pergunta incidental e que apenas transversaliza o biografado.

    Então, nada mais natural que o Chico negar que tenha dado uma entrevista para alguém que fosse escrever uma biografia sobre o Roberto Carlos. Pois efetivamente não deu, e este entrevistador é um oportunista, isso sim.

    Mas para estes idiotas de plantão, e são muitos, que vivem para desconstruir os outros, sobretudo os que atingem a genialidade, que é na verdade o que tanto os incomoda, nada melhor do que um boçal a forçar a barra para se dar bem em cima de uma personalidade genial como o Chico Buarque.

    Desculpem-me a grosseria meio Nelson Rodrigues, e todos aqueles que estão emitindo opiniões contrárias sem querer apenas tripudiar, a estes meus respeitos, mas que estas outras bestas de plantão se alimentem bastante da mediocridade. Afinal, a grandeza de espírito não cabe dentro das suas almas, e lhes provocam constantes diarréias verbais.

  3. A discussão das biografias não está no plano das liberdades democráticas, está no plano constitucional das garantias individuais. Assim como o lar é inviolável, o que se faz dentro dele também.

    Não é porque se brigou com o parceiro ou com a parceira, por exemplo, que um deles pode sair contando o que se fazia dentro do lar, isto é inadmissível. Garantir esta inviolabilidade é dar o direito de dizer não a quem quer que seja.

    Não estamos falando de crime, não relatar um crime e prevaricar é uma coisa, dizer não às fofocas da vida privada é outra.

  4. Acabei escrevendo sei lá quantos posts sobre isso. E, depois de tantos,perdi um pouco a paciência. Mas, para quem não sabe, eu tinha começado até envergonhando a poesia, pois o meu primeiro post foi “cometer” um verso que republico aqui para não acharem que sou apenas um cara impaciente…

    Das Biografias
    (Na inspiração do Blog do compositor Sergio Ricardo, chamado G.R.I.T.A.)

    I

    Eu escolho não berrar meu tropeço
    Há quem escolha expor o seu avesso.
    Escolher o tamanho do som do seu passo
    Cabe ao dono do estardalhaço.

    II

    A vida não é para ser lida em uma catarse infinita
    A liberdade da vida não está na publicidade da ferida
    A liberdade da vida está em poder escolher a sua grita.

  5. Perfeito!
    Não existe sobriedade nenhuma ou um mínimo de equilíbrio no sentido comum nessas críticas a Chico Buarque. Confundiu-se aí as habituais crônicas pessoais, individualistas, digo, as ocultas dos críticos, numa espécie de contrabando de opinião para reduzir um debate intelectual em uma sobremesa que tem no discurso uma briga por outras formas de poder. Essa pressa em acusar Chico é mero adorno. Por isso as locuções convencionais são aquelas extraídas das fórmulas consagradas espertas e afreguesadas. A matéria carece de uma análise com observações bem mais amplas. Ao contrário disso, tivemos aquele inquérito pedantesco para aguçar curiosidades e apedrejamentos. Esse fenômeno que nos chega depressa e tão desvairado, com jorros súbitos de rancor e tão apoucados de essência, é a cabeça da medusa do território digital. Por qualquer razão se espanca uma pessoa, e o exército quase corporal tem seus xerifes, seus conselhos como uma nova prática social que, na verdade, não passa de uma disputa política que, diante de uma perfeita inópia mental de seus súditos, usam suas sílabas como pedras para, na obscuridade comum, radicalizar falsamente um debate para empregar determinada forma de liderança. O Chico que está sendo rotulado pelos ministros dessa guerra digital, é um Chico que eles próprios criaram para, de acordo com a filosofia dessa “nova história” não ter o peso intelectual que sempre teve e, sem dúvida nenhuma, sempre terá diante do grande debate nacional.

  6. Chico Buarque tem um lugar que somente ele ocupa no cenário da cultura nacional! Igual a Chico Buarque? Ninguém! Somente ele filosofou, poetizou, poemizou, polemizou, cantou e apresentou nossas razões de sermos brasileiros, com todas as nossas nuances, dúvidas, anseios, questões e performances. Numa época em que falar de si (ser brasileiro), era tabu! Adoro Chico! O que o cara falar, tiro o chapéu, ou seja, tenho dito!

  7. Chico Buarque merece todas as reverências. O que é necessário é não alimentar a ideia de biografia autorizada, senão os políticos, que só querem elogios e não críticas, poderão encampar essa motivação e tentar aprovar leis restritivas à livre circulação da informação. Para fazer biografia, artigo, ensaio, reportagem, documentário, filme ou que seja acerca de personagens da vida cultural etc não se precisa de autorização, mas de competência para tal.
    Quanto ao direito à privacidade, que é um dos mais fundamentais para os cidadãos e garantido por lei, – porque vivemos numa democracia – resta ao cidadão apelar à Justiça, como já foi ressaltado exaustivamente nesse debate.

  8. caro, Chico apóia a ditadura do PT! Dilma acabou de mandar o exército pro Rj contra manifestantes! acorda, o sr é do bem mas os tempos mudaram e Chico idem…

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