CARTA ABERTA a FRANCISCO BOSCO

Prezado Francisco Bosco
Presidente da FUNARTE-Fundação Nacional de Artes

Em primeiro lugar, parabéns pela indicação para presidir o órgão do Ministério da Cultura que abriga o CEMUS- Centro da Música. É do lugar de compositora e ativista em defesa do músico profissional que venho propor um início de discussão sobre medidas que poderiam instituir uma outra lógica de políticas públicas para o setor. Todos sabemos que o grande problema do artista é não ter um mercado de trabalho permanente. Milhões são as causas entre elas o jabá que impede o acesso da maioria aos meios de comunicação, mas isso é outra discussão.

O que venho propor está a seu alcance e do poder público tanto em nível federal como estadual e municipal. Que tal pensarmos em aplicar as verbas diretas e as que chegam a alguns por meio de editais, que beneficiam uma minoria, e pensarmos numa política que beneficiará o coletivo, a maioria.

Seria investir nos aparelhos públicos que já existem, para criar um mercado para o artista autoprodutor (termo utilizado por Antônio Adolfo para substituir o desvirtuado “independente”, movimento do qual foi precursor nos anos 1970.) Objetivamente seria reativar o circuito universitário (vide Sergio Ricardo) somando-se escolas públicas, centros culturais, emissoras de rádio e TVs públicas e comunitárias, etc.

O Estado entraria com a infra-estrutura: aparelhagem de som e luz, transporte, hospedagem, alimentação, divulgação, em parcerias com prefeituras e secretarias de cultura de todos os municípios e estados do país. E o artista com sua arte. Nada de cachês milionários, seria bilheteria mesmo, como era antigamente. Se os músicos profissionais (compositores, cantores, instrumentistas) de diversas linguagens, tiverem trabalho o ano inteiro circulando pelo país, poderão conquistar um público próprio e viver dignamente de seu ofício. E o público conheceria a beleza da música brasileira que é produzida em todas as regiões do país.

Seriam contempladas várias propostas oficializadas nos Fóruns e na Câmara Setorial da Música como por exemplo: Formação de Platéia, Circulação, Divulgação, Ampliação do Mercado de Trabalho, Diversidade, Democratização dos Meios de Comunicação.

É um trabalho que só dará bons frutos com o tempo. Mas se você começar a semear agora, ficará para sempre em nossos corações e mentes como o jovem que possibilitou o pão de cada dia aos artistas brasileiros de todas as idades.

Atenciosamente

Ana Terra-compositora/escritora
Niterói, 8 de fevereiro de 2015.

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